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EVOLUÇÃO SOB O PONTO DE VISTA ROSACRUZ


Augusta Foss-Heindel

 

SUMÁRIO

CAPÍTULO I

Períodos Pré-Históricos

CAPÍTULO II

O Desenvolvimento dos Corpos

CAPÍTULO III

Os Espíritos Lucíferos e os Filhos da Neblina

CAPÍTULO IV

Correspondências Bíblicas e a Teoria de Darwin

 


 

CAPÍTULO I

Períodos Pré-Históricos

 

Quando olhamos para a abóbada celeste estrelada, podemos ver um quadro que inspira reverência e quanto mais o contemplamos, maior é o número de estrelas que se apresentam à nossa vista. Entre elas existem duas estrelas brilhantes chamadas pelos astrônomos de lâmpadas da noite. Elas estão sempre girando em torno da Estrela do Norte ou Polar, a guia do marinheiro. Estas duas estrelas são as principais de um grupo chamado Ursa Maior e estão sempre apontando a direção para a Estrela Polar, que está quase estacionária e, por esta razão, é mais digna de confiança, pois é uma amiga que dá a direção que o navegante deve seguir. Admiramos o esplendor destas estrelas brilhantes, e nossos olhos imediatamente começam a localizar a figura da Ursa Maior, da qual elas são uma parte.

Se olharmos através de um telescópio para as estrelas que admiramos, nós nos perderemos em um sistema de estrelas e mundos - mundos sobre os quais o homem jamais sonhou, e que são, muitas vezes, maiores em tamanho do que nossa minúscula Terra. À medida que desenvolvemos instrumentos mais potentes e as lentes nos levam para mais longe, para dentro das profundezas do espaço, o panorama torna-se cada vez mais surpreendente. Se um instrumento feito pelo homem tem o poder de penetrar muito mais longe que sua limitada visão física, imaginemos quão maior deve ser o quadro do universo de Deus para o homem que pode viajar através destas grandes distâncias. Para o adepto não existe distância física. O simples pensamento o levará em asas espirituais para visitar um planeta ou um mundo, e sua penetração nesses espaços dependerá somente de seu desenvolvimento. À medida que ele cresce em consciência espiritual, aumentará seu poder de penetrar através do espaço e os quadros se tornarão mais compreensíveis.

O homem de mente materialista acredita que tudo aquilo que vê com seus olhos - a beleza da natureza que o cerca no mundo material, as montanhas, as árvores, as flores, o brilho do sol, as nuvens - são fatos físicos que existem em seu mundo. Ele não pode conceber nada além do que pode ver, sentir ou ouvir. Mesmo a vida que se apresenta através do telescópio, ele a aceita como parte de seu minúsculo universo. Ele é incapaz de reconhecer a magnitude do mundo de Deus; não pode entender sua grandeza, pois só admite e valoriza as coisas que acrescentam conforto e prazer à sua vida.

O astrônomo, com seus maravilhosos instrumentos, é incapaz de conhecer todos os mundos, ou assegurar que estes mundos sejam habitados. Ele acredita que Marte seja habitado, mas todas as tentativas de comunicação com este planeta falharam. Porém, é na grande galeria de quadros de Deus que estamos mais interessados. Tocamos e admiramos os quadros da natureza, como o homem os vê com seus olhos e com a ajuda do telescópio. No entanto, os quadros mais maravilhosos são os contemplados através de uma visão muito mais confiável que aquela que o homem não consegue desenvolver com seus instrumentos. É uma visão que está latente nele e que ele pode novamente desenvolver. Esta é a visão que ele possuiu nos primeiros períodos de sua existência, e que, depois, foi turvada pelo denso véu da matéria. Esta visão espiritual é aquela que o ego possuia quando, como um espírito virginal, foi diferenciado em Deus.

O homem tem conhecimento do reto viver e é capaz de estudar os sete mundos e seus métodos de desenvolvimento evolutivo. Se ele dominar estas verdades, não teórica mas praticamente, e fizer delas uma parte de sua vida, vivendo-as, ele conseguirá remover, lentamente, os véus que, em seu mergulho na matéria, atraiu para si próprio. Gradualmente, recuperará seu estado espiritual e estará capacitado a ver os quadros na grande galeria de Deus, a qual chamamos Memória da Natureza. Esta verdadeira galeria de quadros de Deus é encontrada na subdivisão mais elevada da Região do Pensamento Concreto. Para ser capaz de contemplar a grande tela cinematográfica do mundo e a luz nesta região, é necessário que o homem passe através de várias iniciações. Seu desenvolvimento permitirá, então, que ele investigue este panorama da criação, que está em movimento; os quadros da natureza estão sempre em movimento. Os filmes modernos são uma maravilhosa imitação do que o homem altamente desenvolvido vê nos registros do universo.

Nossos amados Irmãos Maiores, através deste método de ler na Memória da Natureza, têm sido capazes de transmitir para nós as grandes verdades contidas no "Conceito Rosacruz do Cosmos". Max Heindel, fazendo os sacrifícios necessários e vivendo uma vida de pureza e de serviço amoroso, foi capaz de remover os véus que obscureciam sua visão espiritual e, com o auxílio dos Irmãos Maiores, teve permissão de investigar esses quadros e divulgar mais conhecimentos em dez curtos anos, do que muitos outros místicos ou ocultistas avançados o fizeram um toda uma vida.

Toda formação de pedra, planta e animal, assim como do homem, está registrada em alguma parte daquele quadro em movimento. Cada acontecimento passado, toda a nossa história, desde seu início, tudo está gravado lá. Nada é tão pequeno ou insignificante que possa impedir que seu registro seja impresso naquela película.

Vamos sentar, fechar nossos olhos e imaginar como seriam as sensações se tivéssemos estes quadros diante de nós, mostrando o começo da Terra, a força da primeira grande causa, a neblina ígnea, depois a incrustação da Terra. Vamos imaginar como seriam estes quadros à medida que passassem diante de nossa visão mental, desde o obscuro Período de Saturno e sua condição quente, semelhante a do mineral.

Imaginemos a vida de Deus, em sua obra de desenvolvimento, passando ao redor dos sete globos, cada globo um pouco mais desenvolvido que o precedente, e depois o período de repouso ou caos, que necessariamente acontece entre o tempo da manifestação de cada globo ou período e o próximo. Ao alcançarmos o segundo período, chamado Período Solar, imaginemos uma nebulosa ofuscante, iluminada, ígnea em seu estado de constante mutação, de constante melhoria, sob a direção dos Senhores da Chama. Neste período, os Senhores da Sabedoria irradiaram, de seus próprios corpos, o germe do corpo vital do homem, que iria interpenetrar seu corpo denso que teve seu começo no Período de Saturno. Podemos imaginar tal corpo, que foi desenvolvido desde um estado semelhante ao mineral, até tornar-se semelhante à planta?

Depois que a onda de vida deste período realizou seu trabalho, circundando sete vezes os sete globos, ela entrou novamente em um período de descanso ou sono. Notemos como é maravilhoso que toda vida, desde a mais alta até a mais baixa expressão, passe por sua noite.

Prosseguindo com nosso panorama em movimento, passamos os olhos ligeiramente sobre os quadros que pertencem à formação do mundo durante o terceiro período ou Período Lunar. Encontramos aqui, novamente, o místico número sete (veja Diagrama 8 no "Conceito Rosacruz do Cosmos"). Isto irá dar-nos uma idéia do grande esquema de Deus, uma vez que os mundos são formados em ciclos de sete; sete globos em cada período, e sete períodos.

Sendo a Lua de uma natureza aquosa, a água foi naturalmente o elemento acrescentado do Período Lunar ao calor de Saturno e ao fogo do Sol. Podemos formar uma idéia deste período, ao tomarmos uma ardente bola vermelha de ferro, fazendo-a girar a uma rápida velocidade enquanto jogamos água sobre ela. Uma neblina quente subirá na atmosfera. Isto descreve, de alguma forma, as condições atmosféricas encontradas no Período Lunar. Os Senhores da Sabedoria cooperaram com os Senhores da Individualidade, que então se encarregaram da evoluinte onda de vida. O homem em formação tinha alcançado o estágio onde os embrionários órgãos do sentido e as glândulas estavam se desenvolvendo. Na terceira revolução do Período Lunar, os Senhores da Individualidade irradiaram, de si mesmos, a substância da qual o homem, com a assistência destes grandes seres, construiu seu corpo de desejos.

Antes disto, os espíritos virginais que iniciaram sua evolução no Período de Saturno, estavam conscientes dos quadros na Memória da Natureza, pois estes estavam em movimento ao redor deles, mas, à medida que foram sendo acrescentados véus, uns atrás dos outros, os quadros se apagaram. Por exemplo, no Período Solar, a adição do corpo vital começou a obscurecer, de certo modo, a luz espiritual. Foi como se houvesse sido erguido um véu entre o homem e o Sol; a luz ficou ligeiramente ofuscada. No Período Lunar, o germe do corpo de desejos foi acrescentado, o que deu ao homem o desejo para a ação. Ao corpo evoluinte do espírito virginal foi dado o poder de se mover, mas, com a adição do corpo de desejos, outro véu foi acrescentado e a luz do espírito foi obscurecida a um grau ainda maior. Ele estava agora encerrado em um tríplice corpo.

Esta perda da visão espiritual fez com que o espírito se voltasse para dentro de si mesmo, à procura da luz que havia perdido. Então, a consciência pictórica, antes mencionada, interiorizou-se, e a individualização começou. Os seres lunares eram criaturas estranhas, semelhantes aos animais. Max Heindel os descreve como tendo um corpo igual ao um saco, muito semelhante a uma placenta em seu desenvolvimento entre a quarta e a sexta semanas. Pareciam estar suspensos por cordões na atmosfera, da mesma maneira que o embrião está suspenso na placenta pelo cordão umbilical.

A vegetação, como podemos observar em nosso filme em movimento, estava crescendo enormemente; a atmosfera carregada de vapor favorecia um crescimento rápido.

 


 

CAPÍTULO II

O Desenvolvimento dos Corpos

 

Emergimos do longo sono de uma noite cósmica depois do Período Lunar. Como já mencionamos no capítulo anterior, uma noite cósmica deve vir depois de cada período. Agora, passemos os olhos ligeiramente sobre os cenários do quarto período ou Período Terrestre. Assim como o espírito humano precisa encontrar seu desenvolvimento e expressão através de vidas sucessivas no corpo físico, também a Terra, o corpo de um Grande Espírito, está procurando seu desenvolvimento através desses períodos sucessivos.

Faremos menção somente das principais cenas desta grande galeria de quadros. Imaginemos quanto tempo uma pessoa leva para observar as inúmeras pinturas em uma galeria de arte. Ela precisa passar rapidamente por algumas, parando mais tempo para admirar os quadros que atraíram seu senso artístico. Da mesma maneira devemos passar o filme do grande universo de Deus, tratando somente das coisas que mais nos interessam.

No quarto período ou Período Terrestre, encontramos quatro elementos. No primeiro período ou Período de Saturno existia apenas o foto; no Período Solar tínhamos fogo e ar; no Período Lunar tínhamos três elementos, pois a umidade foi acrescentada, dando-nos uma atmosfera morna, nebulosa. Neste quarto quadro, acrescentamos o elemento terra. Este é o período da forma, quando os Senhores da Forma exerciam seu domínio.

Estes períodos do mundo são divididos em sete sub-períodos ou revoluções que, de acordo com os ensinamentos Rosacruzes, são designados pelos nomes dos sete planetas - Saturno, Sol, Lua, Terra, Júpiter, Vênus e Vulcano - porque as condições desses períodos nos globos eram semelhantes à natureza desses planetas.

Observando os quadros da revolução mais antiga do Período Terrestre, encontramos existentes aqui as condições Saturninas. Mas, havia uma diferença entre o Período de Saturno e a revolução Saturnina do Período Terrestre, pois o primeiro tinha somente as forças de Saturno nele, enquanto no último, estavam presentes as forças de Saturno, do Sol e da Lua, e o homem não era mais um ser quente como o era no Período de Saturno. Correntes de ar e de água foram acrescentadas ao calor do corpo e o homem começou a endurecer e a se tornar semelhante ao mineral. Os globos, nesta época, ainda estavam em condição ígnea, e a evolução do espírito humano estava confinada às regiões polares do Sol, da qual a Terra era ainda uma parte.

Na Época Polar , o corpo do homem assumiu gradualmente uma forma, e o sentido de sentimento foi lentamente desenvolvido, o qual se tornou possível através do órgão agora conhecido como a glândula pineal. Este órgão projetou-se através da parte de cima do característico corpo, em forma de saco, que não estava suspenso por cordões etéricos como no Período Lunar. O cordão estava faltando e encontramos, em seu lugar, o órgão mencionado acima como glândula pineal. Mas, naquele tempo, este órgão era muito maior do que o minúsculo órgão, em forma de grão de ervilha, de hoje. Através deste órgão, correntes de força eram enviadas à região onde, agora, se localiza o coração. Nesta época, o sentido de percepção do homem estendia-se por todo o seu corpo. Ele percebia calor e frio através do órgão que se projetava da cabeça.

Em nosso próximo quadro observaremos a vida na chamada Época Hiperbórea. Aqui vemos as forças de luz e do ar funcionando, e o corpo do homem, em forma de saco, encheu-se de luz. Ele começou a respirar e isto iniciou correntes no corpo que, mais tarde, desenvolveram-se em nervos. Nesta época, o corpo denso do homem era permeado pelo corpo vital, e isto fez com que o primeiro aumentasse rapidamente em tamanho. O homem era, então, semelhante à planta. Ao final desta época, a Terra foi lançada para fora do Sol e começou a girar ao redor deste corpo de origem.

Neste período, a visão panorâmica deste quadro passa por uma mudança decisiva. Não mais estamos vendo a partir do Sol, mas sim da Terra, que estava começando a incrustar-se. Como estava naquele tempo separada do Sol, seu grande calor começou a desaparecer. Ela se esfriou, e a vegetação apareceu sobre sua superfície quente e cheia de vapor. Podemos agora observar Marte, que, anteriormente, havia sido lançado para fora do Sol. As correntes de ar causadas pelos giros da Terra esfriaram os minerais, e a vida na Terra começou a ter rápidas mudanças.

Nesta ocasião, os quadros mostram a Época Lemúrica. Vênus, Mercúrio e outros planetas tinham sido expelidos do Sol e nós os vemos, agora, girando ao redor dele. Seres humanos, pela separação da Terra do Sol, tinham perdido muito de sua iluminação interior. A partir deste estado, semelhante ao transe, o homem começou a desenvolver uma imagem de consciência interna. Ele também desenvolveu a consciência do som. Ao final da Época Hiperbórea, o homem possuía um veículo duplo: os corpos físico e vital. Neste período do desenvolvimento da Terra, a Lua foi expelida da própria Terra e as correntes, que na revolução da Lua tinham começado o sistema nervoso, transformaram-se em nervos e foram conectadas com os embrionários órgãos do sentido. Portanto, um terceiro veículo, o corpo de desejos, foi depois desenvolvido.

Na Época Lemúrica, o homem tornou-se semelhante ao animal. Nesta época, vieram em seu auxílio os grandes seres, que eram a humanidade do Período Solar, os Arcanjos, e os Senhores da Mente, que eram a humanidade do Período de Saturno. Eles ajudaram os Senhores da Forma com seu trabalho e forneceram a mente germinal.

Até aqui pouco falamos sobre os atrasados que falharam, os que não conseguiram acompanhar a marcha avançada dos pioneiros. Em toda onda de vida encontramos os atrasados. No presente momento, encontramos imperfeição no mineral, nas ervas daninhas e em alguns animais. Na onda de vida humana,os antropóides foram deixados para trás nos Períodos de Saturno e Solar. Nas diferentes revoluções do Período Terrestre, esta segregação continuou. Ao final de cada época, a raça humana deve passar por um exame, que é bem descrito no Capítulo 25 de São Mateus, onde Cristo faz uma descrição do último julgamento:

31. - "Quando o Filho do homem vier em Sua glória, e todos os santos anjos com Ele, então, Ele sentará no trono de Sua glória;

32. - "E diante Dele estarão reunidas todas as nações, e Ele separará umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos bodes;

33. - "E Ele colocará as ovelhas à Sua mão direita e os bodes à Sua esquerda;

34. - "Então, o Rei dirá aos que estiverem à Sua mão direita: Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o reino que vos está preparado, desde a criação do mundo".

As ovelhas são os escolhidos que, ao final de cada época, são levados adiante, para o próximo período. Os bodes são os atrasados, e podem ser comparados ao menino que cabula as aulas e fica longe da escola; quando os exames finais chegam, ele é deixado para trás, ficando na mesma classe pela segunda vez, enquanto seus colegas, que foram atentos e trabalharam, passam a um grau mais elevado.

Estes atrasados tinham que ser deixados para trás, cada vez que uma onda de vida emergia de uma noite cósmica. Os progressistas, que estavam na linha de frente, eram levados adiante para a próxima revolução, mas os atrasados eram deixados. Eles terão, porém, oportunidades para alcançar os pioneiros, algum dia, em algum lugar.

Nossos quadros, à medida que avançamos nas últimas épocas do Período Terrestre, tornam-se mais interessantes e as cenas mais familiares. O reino vegetal aparece mais natural para nós, embora não em um estágio tão desenvolvido como o encontramos no presente momento.

Voltamos outra vez ao quadro da Terra durante a Época Lemúrica, encontramos a atmosfera ainda quente e cheia de uma densa neblina, com homens e animais vivendo em lugares na Terra que tinham, de alguma forma, endurecido e esfriado. Ambos eram de tamanho enorme, e a vegetação tinha crescido, alcançado grandes alturas. Os fetos eram tão grandes e maciços quanto as árvores o são hoje.

 


 

CAPÍTULO III

Os Espíritos Lucíferos e os Filhos da Neblina 

 

Agora, chegamos à parte do grande filme de Deus, que retrata a Terra na última fase da Época Lemúrica. O homem adquiria, gradualmente, uma posição ereta. A coluna vertebral começava a endurecer e o sangue estava conseguindo absorver o ferro, fornecido pela influência marciana. O ego, que até aquela época tinha trabalhado sobre seus veículos de fora, foi, aos poucos, atraído para dentro, e o homem começou a sentir as coisas fora dele. Neste período, ele era totalmente inconsciente de seu corpo físico. No entanto, estava desperto no Mundo do Desejo e podia, naquele estágio, comunicar-se diretamente com os deuses.

O som do ruído dos ventos, as tempestades, o ímpeto das águas, eram para ele as vozes de seus deuses. Ele estava, pelo sacrifício de parte de sua faculdade criadora, desenvolvendo uma laringe, que permitia-lhe produzir sons. Aprendia o uso deste órgão, imitando o farfalhar das folhas e o barulho dos ventos. A mesma faculdade criadora ia também construindo um cérebro, embora ele tivesse somente uma imperfeita faculdade de observação. Este homem Lemuriano não tinha olhos, mas dois pontos sensíveis, previamente mencionados, estavam se desenvolvendo. Como a luz do Sol que aparecia muito fracamente através da neblina tornou-se mais forte, estes pontos sensíveis, com a ajuda da luz solar, desenvolveram-se em olhos.

Neste período da involução do homem, uma classe de seres entrou no quadro, seres que deveriam desempenhar uma parte muito proeminente na modelagem do futuro do homem, a classe dos espíritos Lucíferos, que eram anjos caídos, uma classe de atrasados do Período Lunar. Estes espíritos estavam a meio caminho em sua evolução entre o homem e os anjos, e precisavam encontrar uma forma pela qual pudessem obter conhecimento. Sua evolução dependia do que obtivessem através de uma onda de vida inferior, e, como eles não sabiam como construir um corpo físico, não podiam funcionar tão baixo quanto o homem que tinha um corpo físico. No entanto, estes espíritos Lucíferos, ajudando o homem a desenvolver um cérebro, sabiam que criariam um caminho para ajudá-lo em sua evolução e, assim fazendo, eles também obteriam maior experiência e crescimento para si próprios.

Sempre foi e ainda é uma lei na natureza que todos os seres, não importa em que onda de vida se encontrem - sejam eles os grandes senhores da criação, os arcanjos, anjos, espíritos Lucíferos, espíritos-grupo ou espíritos virginais - ao descerem para auxiliar ou guiar os seres inferiores ou ondas de vida, ajudando-os em seu desenvolvimento e crescimento, adquirem maior experiência e crescem na proporção da ajuda prestada. Podemos seguir esta lei até ao reino mais inferior - todas as classes estão sob ela. Os espíritos Lucíferos viram uma oportunidade de ajudar a humanidade e, não obstante, fizeram com que o homem caísse no ato da geração, o que tem causado muito sofrimento. Mostraram o caminho através do qual ambos, tanto eles como o homem, poderiam obter uma grande experiência. Experiência é o caminho do conhecimento, ainda que possa trazer sofrimento. Na verdade, para o homem, esta queda no pecado foi a abertura para maiores perspectivas e novos valores. Estes espíritos Lucíferos, aparentemente malignos, foram portadores da luz.

Enquanto o homem estava inconsciente do mundo externo, podia comunicar-se com estes espíritos Lucíferos no mundo etérico. Através deles foi-lhe ensinada a diferença entre o bem e o mal. Por meio deles, o homem foi tentado e levado ao ato da geração. Enquanto estava inconsciente da Terra e de seu ambiente físico, ele percebia, espiritualmente, a presença de seus irmãos, assim como o homem de hoje que, possuindo apenas um leve desenvolvimento do sexto sentido, pode sentir e perceber uma presença invisível quando, às vezes, algum ser desencarnado está próximo dele, e que é incapaz de ver com seus olhos físicos. Da mesma maneira, o Lemúrico era consciente de seu irmão. As condições, naquela época, eram opostas às de agora. O homem podia ver e comunicar-se com seu irmão, assim como com os seres superiores no Mundo do Desejo, mas no Mundo Físico estava em um estado de sonho, pois seus olhos físicos ainda não haviam sido abertos. Por outro lado, o homem de hoje tem seus olhos físicos abertos e pode ver seus irmãos no corpo físico, mas seus olhos espirituais estão cegos - ele perdeu a faculdade de ver no Mundo do Desejo.

Agora, voltemos nossos olhos para o lugar de nosso quadro que abrange a primeira e segunda partes da Época Atlante. Ainda encontramos a atmosfera cheia de uma neblina espessa; era possível ver, mas só a alguns metros de distância. O corpo do homem, que já estava ereto, era maciço; a parte de cima era muito grande, com enormes ombros e braços compridos; sua cabeça era pequena em proporção ao seu corpo, a testa inclinada para trás, um nariz muito achatado; a mandíbula era sólida e o pescoço grosso. Este primitivo homem Atlante, ainda não havia adquirido o uso de seus pés para andar, como o homem o faz hoje, mas ele se movia saltando, semelhante à marcha do canguru.

No começo do Período Atlante, a Terra era freqüentemente assolada por inundações que faziam com que homens e animais abandonassem as terras baixas. Gradualmente, à medida que a neblina se condensava, as terras baixas ficavam cobertas de água, impelindo todas as coisas viventes a procurarem segurança subindo para pontos mais altos. Esta migração para terras mais altas e a condensação da neblina, capacitaram o homem para ver o Sol brilhar através das nuvens e, mais tarde, a desenvolver seus olhos. Então, Adão percebeu sua companheira, Eva.

Neste estágio do desenvolvimento do homem, ele podia ver tanto no mundo espiritual quanto no físico. Isto era necessário neste período, pois ele tinha apenas o germe do corpo mental. Possuía, então, um corpo tríplice; um corpo físico, um de desejos e um vital, mas somente os rudimentos de um cérebro; portanto, ele ainda tinha que ser guiado pelos líderes divinos, com os quais podia comunicar-se no Mundo do Desejo. Quando um Atlante olhava para seu irmão, imediatamente reconhecia sua alma e seus atributos. À medida que a neblina recuava para as terras baixas, causava grandes inundações. O mais avançado ser da humanidade de então, que simbolicamente lemos na Bíblia como sendo Noé, líder dos Semitas, e sua família, haviam desenvolvido pulmões, com os quais respiravam o ar puro acima da atmosfera carregada de neblina, e eles foram os primeiros a ver o arco-íris. O homem não era mais um membro infantil da família de Deus, pois, à medida que desenvolvia a memória, tornava-se ambicioso, e o egoísmo começou a aparecer, o que dividiu a humanidade em raças.

Ao alcançarmos o terceiro período dos Atlantes, encontramos a humanidade dividida em nações; os reis eram adorados, não por sua bondade e amor, mas por sua altivez e poder, que alguns usavam de uma maneira muito depravada e egoísta. Templos foram erguidos para a prática da magia negra, que os sacerdotes exerciam sobre o povo a fim de mantê-los submissos. Arrogância e brutalidade reinavam, pois o ego do homem ainda era fraco. A natureza animal, o corpo de desejos, regia a mente infantil das pessoas daquela época. Isto fez com que os Atlantes desenvolvessem a faculdade da astúcia, o que os levou a grandes perversidades. A mais brutal de todas as sete raças Atlantes foi a dos Turianos, a quarta raça Atlante. A magia negra era praticada por esta raça da maneira mais revoltante. As classes mais baixas eram oprimidas cruelmente por aqueles que julgavam-se líderes. Vaidade e ostentação exterior eram a moda reinante.

Os Semitas originais, a seguinte ou quinta raça, foram os primeiros a esforçar-se para desenvolverem o pensamento. Embora muito primitivos, mesmo assim procuraram regular seus desejos. Estas pessoas eram muito zelosas e, desejando manter a raça pura, casavam-se somente na mesma família. Isto acontecia com o propósito de manter seu contato espiritual com os mundos invisíveis. Eles ainda estavam em contato consciente com líderes espirituais no Mundo do Desejo. Mas, à medida que as faculdades mentais se desenvolveram, a glândula pineal, (descrita em nossos capítulos anteriores como o órgão de orientação que se projetava do corpo do homem em forma de saco, na Época Polar, e que, à medida que o corpo se desenvolveu e o homem começou a andar ereto, recuou para dentro da cabeça) através da qual o homem contata os reinos espirituais, retraiu-se para dentro da cabeça, enquanto a matéria cinzenta condensava-se e, desta forma, impedia o contato com os líderes espirituais.

Uma condição semelhante pode ser notada nos dias atuais: por exemplo, nas fases inferiores da evolução, em algumas das raças mais atrasadas que ainda não estão iluminadas, encontramos, até certo ponto, faculdades espirituais desenvolvidas, enquanto que no tipo puramente intelectual, o gigante mental do Ocidente, deparamos mais freqüentemente com o que escarnece das coisas espirituais, que não acredita no que não pode provar no plano material. Não somente a visão espiritual foi sacrificada pelo crescimento do cérebro, à semelhança de uma cúpula sobre a glândula pineal, mas os abusos da faculdade geradora fizeram com que esta minúscula glândula se atrofiasse e se tornasse muito menor.

Passemos, agora, para o quadro que é, talvez, o mais familiar para nós, aquele da quinta época ou Época Ariana. O homem que retratamos até o período atual, expressava-se através de um corpo quádruplo, isto é, um corpo físico, um vital, um de desejos e um corpo mental parcialmente desenvolvido. Mas, à medida que o homem se desenvolve, mudanças ocorrem, pois a necessidade exige isso. Ele está formando agora a matriz para um novo corpo, o corpo-alma, o traje brilhante com o qual encontrará Cristo no ar, e também seu Mestres Espirituais e se comunicará diretamente com Eles.

Muitos estão trabalhando para formar este corpo, purificando suas vidas, sentindo a necessidade de viver não somente para si mas também para os outros. À medida que o corpo de desejos é dominado e o corpo físico é purificado, os dois éteres superiores vão sendo desenvolvidos, e este novo corpo-alma é formado.

 


 

CAPÍTULO IV

Correspondências Bíblicas e a Teoria de Darwin 

 

caminho da evolução da Terra e do homem, até o atual período. Veremos, agora, como isto se relaciona com a descrição dada na Bíbilia.

Gênesis, 1º capítulo, 2º versículo: "E a terra não tinha forma e era vazia; e as trevas cobriam a face do abismo". Como isto descreve bem o escuro Período de Saturno.

Gênesis, 1º capítulo, 3º versículo: "E Deus disse: Faça-se luz, e houve luz". Isto, juntamente com os cinco versículos seguintes, refere-se ao Período Solar como o descrito no "Conceito Rosacruz do Cosmos".

Deus reuniu as águas e fez o mar, separando a terra da água, no período de formação do mundo que chamamos de Período Lunar.

Comparando estes diferentes dias de criação com as Épocas, o primeiro dia de criação, escuro e sem forma, corresponde à Época Polar. O homem era, ainda, semelhante ao mineral. Quando Deus mandou a luz brilhar e a vegetação crescer, o reino vegetal foi formado, o que ocorreu na Época Hiperbórica. Deus disse: "Produzam as águas répteis animados e viventes, e aves que voem sobre a Terra debaixo do firmamento". Esta parte da história da Bíblia sobre a criação refere-se à neblina ígnea da Época Lemúrica, quando o corpo do homem estava começando a endurecer. Temos, assim, a noite e a manhã do quinto dia, quando Deus deixou que a Terra produzisse criaturas, segundo sua espécie, gado e seres rastejantes. No versículo 26, está escrito que Deus disse: "Façamos o homem à nossa própria imagem e semelhança: e que tenha domínio sobre o peixe do mar, e sobre a ave do ar, e sobre o gado e sobre toda a terra, e sobre todas as coisas que se arrastam sobre a terra". O versículo 27: "Deus criou o homem à Sua própria imagem, na imagem de Deus Ele o criou; macho e fêmea Ele os criou". Temos aqui o sexto dia. Estes versículos referem-se à Época Atlante.

Depois que o homem se tornou um ser racional, tendo adquirido uma mente, Deus deu-lhe o domínio sobre os reinos inferiores. Depois que Deus transferiu o domínio dos reinos inferiores para o homem, Deus descansou, não como os religiosos ortodoxos acharam que Ele tinha feito, isto é, sentar-se, recusando-se a trabalhar, tendo servos para serví-Lo. Deus estava na mesma posição que uma mãe está ao criar seus filhos e filhas, orientando-os e cuidando deles para que se tornem adultos e responsáveis por seus próprios atos. Assim, Deus expulsou o homem do Jardim do Éden e o fez responsável. Deus ficou, então, liberado da tarefa de dirigir todas as suas atividades. Porém, se Ele realmente parasse Seu trabalho, nem que fosse por um só instante, o mundo todo se desmoronaria.

O sétimo dia de criação corresponde à Época Ariana, época que estamos vivendo atualmente, e na qual o homem assumiu a responsabilidade de seu próprio futuro. Deus colocou este trabalho nos ombros do homem, mas o Criador não está descansando. A formação do mundo ainda continua. Ao homem foi dado o trabalho de cuidar, trabalhar e aperfeiçoar os reinos mineral, vegetal e animal. O homem, ao trabalhar com estas ondas de vida inferiores, escavando os metais e extraindo o óleo da terra, refinando-os e aperfeiçoando-os, está ajudando-os em sua evolução. O desenvolvimento das várias espécies no reino vegetal está colaborando para aperfeiçoar esta onda de vida. Luther Burbank foi um verdadeiro deus na terceira onda de vida, o reino vegetal. Ele desenvolveu algumas das mais baixas espécies, elevando suas vibrações de modo que elas se transformaram verdadeiramente, ganhando em tamanho e beleza. O homem cultivou a minúscula batata silvestre, conseguindo desenvolvê-la a um tal tamanho e consistência, que ela se tornou um dos alimentos básicos da humanidade. Seu trabalho com o reino animal também tem feito maravilhas, muito embora o homem tenha sido, às vezes, um senhor cruel que usou seu poder sobre esta segunda onda de vida causando-lhe grande sofrimento. Mesmo assim ajudou os animais a evoluírem. Mas este trabalho cruel foi eficaz? Poderia esta onda de vida ter sido ajudada com maior intensidade, através de mais amor? Foi demonstrando que a criança responde mais rapidamente ao amor do que ao castigo. O jardineiro que ama seu trabalho é mais bem sucedido, sendo assim, por que o animal não responderia ao amor mais depressa do que à brutalidade?

Outro maravilhoso quadro que não podemos deixar de apreciar e que é uma prova do caminho da evolução que o homem percorreu, pode ser encontrado na vida do feto. Retrata-se, nesta minúscula forma, os sete estágios, através dos quais seguimos o homem em seu desenvolvimento, desde o Período de Saturno, passando por vários outros períodos e épocas. Esta vida fetal também corresponde à onda de vida humana em seu desenvolvimento durante os sete dias de criação, como está descrito nos primeiro e segundo capítulos do Gênese.

Vamos seguir a formação do embrião humano e observar como a maravilhosa vida que se desenvolve dentro do útero compara-se à evolução exterior do homem. O óvulo humano é uma célula minúscula que, quando fertilizada, é convertida em uma bola compacta, que se divide em outras células pequenas. Este pode ser definido como o período mineral ou Período de Saturno de sua existência. Esta nova vida, pela metade da quarta semana, assume uma aparência semelhante à da planta. Este estágio é seguido por uma fase como a do girino que, mais tarde, passa a ter um aspecto de réptil. Em um dos estágios primitivos do embrião, este tem a forma de saco, igual à forma do corpo do homem no Período Lunar. Esta forma, semelhante a um saco, é suspensa pelo cordão umbilical. No Período Lunar, este cordão era de uma natureza etérica. Max Heindel descreve seres lunares no livro "A Teia do Destino" como segue: "Imagine, naqueles tempos idos, o firmamento como uma imensa placenta da qual pendiam bilhões de cordões umbilicais; cada um com seu apêndice fetal... Este cordões umbilicais e apêndices fetais eram moldados da úmida matéria de desejos, pelas emoções dos anjos lunares".

Durante a quinta semana começa a crescer uma cauda no embrião, que chega a uma sexta parte do comprimento do seu corpo durante este período. Adquire aí uma aparência de réptil, parecida a uma lagartixa, possuindo também, abertura das guelras. Esta forma fetal também está cercada por água. Entre a sétima e oitava semana, o réptil muda sua forma. A cauda se atrofia e a cabeça assemelha-se a de um dogue, com braços e pernas curtas. As mãos e os pés são patas, com dedos e artelhos desenvolvendo-se. A partir da décima semana o feto começa a tomar uma forma humana. O nariz começa a se desenvolver. Neste período, o homem em formação se desenvolve mais do que o animal e torna-se todo humano, alcançando sua perfeição no sétimo mês. Encontramos aqui, novamente, a perfeição do trabalho de Deus. Ao término do sexto dia cósmico, o homem era um ser auto-consciente. Foi-lhe permitido assumir seu próprio trabalho no sétimo dia e libertar Deus do exclusivo cuidado com ele.

Outro quadro que é de vital interesse, é aquele de um minúsculo átomo físico que é mencionado na Revelação, Capítulo XX, 12º versículo: "E eu vi os mortos grandes e pequenos diante de Deus; e os livros foram abertos; e abriu-se outro livro que é o da vida: e os mortos foram julgados por aquelas coisas que estavam escritas nos livros, de acordo com suas obras". Este livro da vida é um minúsculo átomo-semente dentro do corpo do homem, o único átomo que é permanente. É encontrado no ápice do ventrículo esquerdo do coração. Está dito no "Conceito Rosacruz do Cosmos" que o sangue é o veículo direto do espírito e sendo a mais alta expressão física do Ego, está naturalmente em contato mais próximo com a Memória da Natureza. Á medida que o sangue é impulsionado através do coração, ele grava os quadros da vida do homem, hora após hora, sobre este minúsculo átomo, fazendo um perfeito registro de sua vida. Este infinitesimal átomo não só registra a vida atual, como gravou sobre ele, os quadros de todas as vidas passadas do homem.

Desde o momento em que a criança respira pela primeira vez, quando o orifício oval é fechado e o sangue é impulsionado através do coração e dos pulmões, o ar inspirado imprime os quadros do ambiente sobre este átomo no coração, de maneira semelhante à impressão feita sobre o filme de uma máquina fotográfica. Esta impressão permanece por toda a vida. A ruptura da conexão entre este átomo-semente permanente e o coração faz com que o último pare sua pulsação, o que termina em morte. Durante os três dias e meio imediatamente seguintes a esta ruptura, todos os quadros que foram impressos sobre este átomo são gravados através do corpo vital, no corpo de desejos. A propósito, este é o momento mais crítico para o Ego, e é de grande importância para ele que o seu corpo não seja perturbado. Quando a vida do Ego termina no Mundo do Desejo, os quadros, que contêm a quintessência de todas as experiências passadas, são transferidos para veículos ainda mais elevados, e o Ego, em seu retorno para a vida terrena, traz consigo este maravilhoso registro. É o átomo-semente físico que atrai para si os átomos que constituem o novo corpo físico.

Falaremos sobre a teoria da evolução de Darwin e sua correlação com a doutrina Rosacruz:

Darwin foi o cientista pioneiro em relação à origem e ao desenvolvimento da teoria materialista da evolução e demonstrou em seu trabalho grande genialidade e visão. Ele indicou o caminho que sucessivos cientistas, desde então, têm seguido em maior ou menor grau.

A teoria de Darwin baseou-se, inicialmente, na origem das espécies através da "seleção natural", e seu desenvolvimento através da "sobrevivência do mais forte". A seleção natural é mencionada pelos Rosacruzes como Epigênese, a saber, o poder do espírito de originar novas causas. Darwin angariou uma grande reputação pela descoberta deste princípio da natureza, embora o ocultista possuísse este conhecimento há séculos.

A seleção natural ou Epigênese, é responsável pelo aperfeiçoamento gradual dos corpos nos quais o homem funciona e também pela melhoria do ambiente no qual vive. A teoria de Darwin da "sobrevivência do mais forte" é um fato evidente em toda a natureza. Darwin não considerou, todavia, a origem espiritual e a natureza do homem, o que constitui, realmente, a falha mais séria de sua teoria. Como foi mencionado nas páginas precedentes, o homem é fundamentalmente uma faísca de Deus, um espírito tríplice, que está fazendo uma peregrinação evolucionária através da matéria, com o propósito de obter uma consciência própria maior e novos poderes. O conhecimento deste fato, por si só, torna a evolução racional e compreensível.

Os Rosacruzes afirmam, enfaticamente, que o homem nunca foi um animal. Ele jamais descendeu ou ascendeu dos animais. A idéia de que isto possa ter acontecido, é uma particularidade infeliz em relação à versão de Darwin sobre a evolução. Este é o ponto de discórdia entre os Fundamentalistas no momento atual. A Ciência considera o animal simplesmente como uma massa de matéria vivente. Ela não sabe que o animal está animado por um espírito virginal, em estágio de desenvolvimento inferior ao nosso. O homem jamais foi uma simples massa vivente de matéria, sem uma alma. Ele é e sempre foi um espírito. Mas houve um tempo no passado pré-histórico, em que ele habitou corpos parecidos ao dos animais. Em um determinado estágio de nossa história, uma pequena parte dos Egos de nossa onda de vida começou a afastar-se do corpo principal e a degenerar. Estes atrasados tornaram-se os macacos antropóides. No entanto, nós jamais passamos por este estágio. Os antropóides são homens degenerados. Quando a Igreja entender esta idéia, a maior parte de suas objeções contra o ensino da evolução, sem dúvida desaparecerá.

 

Darwin apresentou fatos materiais da evolução de tal maneira, que até podem ser compreendidos e aceitos na era materialista em que vivemos. Assim, fazendo, ele serviu a um objetivo. Mas é necessário que sua obra seja suplementada por uma afirmação dos fatos espirituais ligados à evolução, e isto a ciência oculta está fazendo.

Como é patética a discórdia entre os anti-evolucionistas e o ocultista-cientista, que pode ver com a visão de Raio X, tem prova positiva de evolução, pode observar os quadros do microcosmos assim como os do macrocosmos e pode seguir os registros do homem através de muitas vidas! Como é absurda esta contenda, assim como é absurdo que alguns homens, limitados em sua visão, façam tentativas de restringir o pensamento religioso da América livre, e ditem em que o mundo deve ou não acreditar! Um grande benefício, porém, derivará da luta sobre a evolução: Se os Fundamentalistas pudessem ver o efeito que sua luta contra a evolução terá sobre a humanidade, saberiam que estão sendo usados como instrumentos pelos Grandes Seres que estão nos guiando atrás dos bastidores, para despertar um maior interesse sobre a evolução. As pessoas estão lendo Darwin e comparando sua teoria com o livro do Gênese, coisa que jamais pensaram em fazer antes, e estão interessadas em ler livros que tratem deste assunto. O resultado será que muitos se converterão às doutrinas que os Fundamentalistas estão tentando banir pela lei. Assim, podemos observar que a controvérsia sobre a evolução, que está criando grande interesse em todas as partes do mundo, é realmente uma nuvem que tem sua auréola prateada.

FIM