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 O CORPO DE DESEJOS
Max Heindel

 

SUMÁRIO

PREFÁCIO 2

PARTE I 3

O Mundo do Desejo Planetário 3

Capítulo I 3

Sua Relação com o Mineral, o Vegetal, o Animal e o Homem 3

PARTE II 8

Origem e Desenvolvimento do Corpo de Desejos do Homem 8

Capítulo I 8

Através dos Períodos Setenários 8

PARTE III 13

O Corpo de Desejos do Homem no Mundo Físico 13

Capítulo I 13

Da Infância à Puberdade 13

Capítulo II 16

Sua Aparência e suas Funções 16

Capítulo III 19

O Efeito das Emoções no Contorno e na Cor do Corpo de Desejos 19

Capítulo IV 24

A Influência do Pensamento 24


PREFÁCIO

 

O homem, o Espírito vivo, tem no atual estágio de desenvolvimento quatro veículos através dos quais ele funciona: o corpo denso, o corpo vital, o corpo de desejos e a mente. Embora esses corpos estejam intimamente correlacionados e afetados uns pelos outros, é de ajuda para o estudante, para a completa compreensão de suas funções e possibilidades, estudar cada um deles separada e exaustivamente. Para facilitar tal estudo, tudo o que foi escrito por Max Heindel sobre o corpo de desejos foi colecionado e publicado neste único e conveniente volume.

O corpo de desejos do homem é seu veículo dos sentimentos, aspirações, vontades e emoções. Ele é responsável por suas ações vivenciadas em movimentos livres. Se descontrolado, faz com que o corpo faça todas as coisas desnecessárias e indignas tão prejudiciais ao crescimento da alma. Entretanto, esse gênio que é um perigo tão grande quando assume o controle pode ser de eficiente serviço sob direção apropriada. Portanto, o temperamento do Corpo de Desejos deve ser controlado, mas de nenhum modo exterminado.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, por conseguinte, enfatizam a transmutação dos desejos inferiores em sentimentos elevados através do serviço motivado por devoção aos ideais superiores. Isso gera a Alma Emocional, nutriente essencial para o Espírito em evolução.


 

PARTE I

 

O Mundo do Desejo Planetário

 

Capítulo I

Sua Relação com o Mineral, o Vegetal, o Animal e o Homem 

 

Nos ensinamentos Rosacruzes, o universo acha-se dividido em sete Mundos diferentes, ou estados de matéria, como se segue:

1. O Mundo de Deus.

2. O Mundo dos Espíritos Virginais.

3. O Mundo do Espírito Divino.

4. O Mundo do Espírito de Vida.

5. O Mundo do Pensamento.

6. O Mundo do Desejo.

7. O Mundo Físico.

Esta divisão não é arbitrária mas necessária, porque a substância de cada um desses Mundos está sujeita a leis que são praticamente ineficazes nos outros mundos. Por exemplo: no Mundo Físico, a matéria acha-se sujeita à gravidade, à contração e à dilatação. No Mundo do Desejo não existe nem calor nem frio, e as formas levitam com a mesma facilidade com que gravitam. A distância e o tempo são também fatores preponderantes que existem no Mundo Físico, mas quase totalmente inexistentes no Mundo do Desejo.

A matéria desses mundos também varia em densidade, sendo o Mundo Físico o mais denso dos sete.

Cada Mundo acha-se subdividido em sete Regiões ou subdivisões da Matéria.

A matéria de desejo, no Mundo do Desejo persiste através das sete subdivisões ou regiões como material para a "incorporação" dos desejos.

Assim como a Região Química é o reino da forma e a Região Etérea é o lar das forças condutoras das atividades vitais nessas formas, permitindo-lhes viver, mover-se e propagar-se, assim também as forças no Mundo do Desejo, trabalhando no corpo denso despertado, o impelem a se mover nessa ou naquela direção.

Se apenas existissem as atividades das Regiões Química e Etérea do Mundo Físico, haveria formas vivas, capazes de se moverem, mas sem incentivo para agirem dessa forma. Esse incentivo é proporcionado pelas forças cósmicas ativas no Mundo do Desejo e, sem essa atividade agindo através de todas as fibras do corpo vitalizado, impelindo-o a ação nessa ou naquela direção, não haveria experiência nem crescimento moral. A função dos diferentes éteres cuidaria do crescimento da forma, pois é somente em resposta às necessidades do crescimento espiritual que as formas evoluem para estados superiores. Vemos assim a grande importância desse reino da Natureza.

Desejos, aspirações, paixões e sentimentos expressam-se na matéria das diferentes regiões do Mundo do Desejo, assim como as formas expressam-se na Região Química do Mundo Físico. Eles tomam formas que duram por mais ou menos tempo, de acordo com a intensidade do desejo, aspiração ou sentimento que encerram. No Mundo do Desejo a diferença entre as forças e a matéria não é tão definida e visível como no Mundo Físico. Poder-se-ia dizer, até, que aqui as idéias, força e matéria são idênticas e recíprocas. Não é bem assim, mas podemos dizer que até certo ponto o Mundo do Desejo se compõe de força-matéria.

Quando se fala da matéria do Mundo do Desejo, é verdade que ela é um grau menos densa que a matéria do Mundo Físico, mas formaremos uma idéia totalmente errada se imaginarmos que ela é matéria física mais sutil.

Embora a montanha e a margarida, o homem, o cavalo e um pedaço de ferro sejam compostos de uma derradeira substância atômica, não queremos dizer que a margarida seja uma forma de ferro mais fina e sutil. De igual modo, é impossível explicar por palavras a mudança ou a diferença que se opera na matéria física quando ela se converte em matéria de desejos. Se não houvesse diferença ela seria suscetível às leis do Mundo Físico, o que não acontece.

A lei que rege a matéria da Região Química é a inércia - a tendência a permanecer no "statu quo". É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer que se mova um corpo em repouso ou para deter um corpo em movimento, o que não acontece com a matéria do Mundo do Desejo. Essa matéria por si mesma, é quase vivente. Está em movimento fluídico incessante, assumindo todas as formas imagináveis e inimagináveis, com inconcebível facilidade e rapidez, assumindo ao mesmo tempo cores coruscantes e cintilantes de milhares de tons sempre cambiantes, sendo incomparável com qualquer coisa que conhecemos no estado físico de consciência. Algo ligeiramente semelhante à ação e ao aspecto dessa matéria poderia ser visto no jogo de cores de uma concha de nácar quando exposta ao sol e posta em movimento.

Assim é o Mundo do Desejo: um mundo de luz e cor sempre cambiantes no qual as forças do animal e do homem se misturam com as forças de inumeráveis Hierarquias de seres espirituais que não aparecem no Mundo Físico, mas que são tão ativas no Mundo do Desejo como nós o somos aqui.

As forças emitidas por essa vasta e variada hoste de Seres modelam a matéria cambiante do Mundo do Desejo em formas inumeráveis e diferentes, de maior ou menor durabilidade, de acordo com a energia cinética do impulso que lhes deu origem.

Os três Mundos do nosso planeta (Mundo do Pensamento, Mundo do Desejo e Mundo Físico) são atualmente o campo de evolução para diferentes reinos de vida, em diferentes estados de desenvolvimento. Apenas quatro desses, por ora, nos dizem respeito: os reinos mineral, vegetal, animal e humano.

Esses quatro reinos acham-se relacionados com os três Mundos de maneiras diversas, de acordo com o progresso que esses grupos de vida evolucionante tenham feito na escola da experiência.

Para mostrar sentimentos e emoções é necessário possuir um veículo composto por matérias do Mundo do Desejo.

É necessário ter um corpo vital separado, um corpo de desejo, etc., para expressar as qualidades de um reino em particular, porque os átomos do Mundo do Desejo, do Mundo do Pensamento e mesmo dos Mundos Superiores, tanto interpenetram o mineral como o corpo denso. Se a interpenetração do éter planetário, que é o éter que envolve os átomos do mineral, fosse suficiente para fazê-lo sentir e propagar-se, ser interpenetrado pelo Mundo do Pensamento planetário também seria suficiente para fazê-lo pensar. Isso não pode ser feito por faltar um veículo separado. O mineral é penetrado apenas pelo éter planetário e é por esse motivo incapaz de crescimento individual. Só o mais inferior dos quatro estados do éter - o químico - acha-se ativo no mineral. As forças químicas existentes nos minerais devem-se a esse fato.

Tendo notado as relações existentes entre os quatro reinos e a Região Etérea do Mundo Físico, iremos depois voltar nossa atenção para as suas relações com o Mundo do Desejo.

Aqui descobrimos que tanto os minerais quanto os vegetais não possuem o corpo de desejo separado. Eles estão permeados apenas pelo corpo de desejo planetário, o Mundo do Desejo. Sem possuir o veículo separado, são incapazes de ter sentimentos, desejos e emoções, que são faculdades que pertencem ao Mundo do Desejo. Quando se quebra uma pedra, ela não sente; mas seria errado deduzir que não existe sentimento relacionado a essa ação. Essa é a visão materialista feita por uma multidão de pessoas sem compreensão. O cientista ocultista sabe que não existe ato, grande ou pequeno, que não seja sentido por todo o universo, e mesmo que uma pedra, por não possuir corpo de desejo separado não possa sentir, o Espírito da Terra sente porque é o corpo de desejo da Terra que permeia a pedra. Quando um homem corta seu dedo, o dedo, que não possui corpo de desejo separado, não sente dor, mas o homem sente, porque é o seu corpo de desejo que permeia o dedo. Se uma planta é arrancada pelas raízes, isso é sentido pelo Espírito da Terra como um homem sentiria se fosse arrancado um fio de cabelo de sua cabeça. Esta Terra é um corpo vivo que sente, e todas as formas que estão sem corpos de desejos separados, através dos quais os Espíritos que as animam pudessem experimentar sentimentos, acham-se incluídas no corpo de desejo da Terra e esse corpo de desejo tem sentimentos. A quebra de uma pedra e o corte das flores produzem prazer à Terra, enquanto que o arrancar de plantas pelas raízes causa-lhe dor.

Na planta não há um corpo de desejo separado, por isso ela não tem desejo. Ela direciona seu órgão de reprodução, a flor, casta e impudentemente em direção ao Sol, uma coisa bonita e deleitosa.

No homem, o corpo de desejo individual tem necessariamente que provocar paixão e desejo a não ser quando subjugado por meios ocultos. Por isso o homem é a inversão da planta casta, tanto figurativa como literalmente, pois ele possui desejo e volta seu órgão reprodutor para a Terra e disso sente vergonha. A planta se alimenta através da raiz; no homem o alimento entra pela cabeça. O homem inala o oxigênio dador-da-vida e exala o dióxido de carbono portador-da-morte. Esse é absorvido pela planta que extrai o veneno e devolve o princípio vitalizante para o homem.

O Mundo Planetário pulsa através do corpo vital e do corpo denso do animal e do homem, da mesma forma em que penetra o mineral e a planta, mas, além disso, o animal e o homem têm corpos de desejo separados, que os capacita a ter desejo, emoção e paixão. Existe, entretanto, uma diferença. O corpo de desejo do animal é formado inteiramente de material das regiões mais densas do Mundo do Desejo, enquanto que no caso das raças humanas, mesmo nas mais inferiores, um pouco da matéria das regiões mais elevadas entra na composição do corpo do desejo. Os sentimentos dos animais e das raças humanas mais inferiores estão quase que totalmente relacionados com a gratificação dos desejos inferiores e paixões que encontram sua expressão nas regiões inferiores do Mundo de Desejo.

O corpo de desejo tem sua raiz no fígado, assim como o corpo vital o tem no baço.

Em todas as criaturas de sangue quente - que são as mais evoluídas e possuem sentimentos, paixões e emoções, que alcançam o mundo exterior pelo desejo e das quais pode-se dizer que vivem no mais completo significado do termo e não apenas vegetam - as correntes do corpo do desejo fluem externamente do fígado. A matéria de desejo está continuamente se liberando em valores e correntes que viajam em linhas curvas para todos os pontos da periferia do ovóide e depois retorna para o fígado através de vários vórtices, tanto quanto a água fervente está continuamente se liberando da fonte de calor e a ela retornando após completar seu ciclo.

As plantas não possuem esse princípio propulsor e energizante, daí não poderem mostrar vida e movimento como podem os organismos superiormente desenvolvidos.

Onde existe vitalidade e movimento, e inexiste sangue vermelho, não existe corpo do desejo separado. A criatura acha-se simplesmente no estágio entre o vegetal e o animal e, portanto, se move completamente na energia do Espírito Grupo.

Nos animais de sangue frio que possuem um fígado e sangue vermelho, há um corpo de desejo separado e o Espírito Grupo direciona as correntes para dentro, porque no seu caso o espírito separado (do peixe ou réptil individual, por exemplo) acha-se completamente no lado externo do corpo denso.

Quando o organismo tiver evoluído ao ponto em que o espírito separado possa começar a penetrar em seus veículos, então ele (o Espírito individual) começará a dirigir as correntes externamente, e veremos o início da existência apaixonada e do sangue quente. É o sangue quente no fígado do organismo suficientemente evoluído para possuir um Espírito interno que energiza a saída das correntes de matéria de desejo que faz com que o animal ou o homem demonstre desejo e paixão. No caso do animal, o espírito ainda não está completamente interiorizado. Os mamíferos atuais, que tenham em seu estágio animal alcançado a posse do sangue quente vermelho, acham-se capacitados a experimentar desejo e emoção até certo ponto.

O espírito animal em sua descida alcançou apenas o Mundo do Desejo. Ainda não evoluiu ao ponto de poder "entrar" num corpo denso. Portanto, o animal não possui Espírito interno, mas sim o Espírito Grupo que o dirige de fora. O animal possui o corpo denso, o corpo vital, e o corpo de desejo, mas o Espírito Grupo que o dirige está do lado de fora. O corpo vital e o corpo de desejo de um animal não se encontram inteiramente dentro do corpo denso, especialmente no que diz respeito à cabeça.

Todas as formas são impelidas à ação pelo desejo: a ave e o animal quadrúpede vagam por terra e ar no seu desejo de obter alimento e abrigo, ou com o propósito de procriar; o homem é também movido por esses desejos, mas tem ainda outros e mais elevados incentivos que o estimulam a se esforçar. Entre eles, acha-se o desejo de locomover-se rapidamente, o que o levou a construir a maquina a vapor e outros mecanismos que se movem em obediência a seus desejos.

Se não houvesse ferro nas montanhas, o homem não poderia construir máquinas. Se não houvesse barro no solo, a estrutura óssea do esqueleto seria impossível, e se não existisse nenhum Mundo Físico, com seus sólidos, líquidos e gases, o nosso corpo denso jamais poderia ter existido. Raciocinando de modo similar, torna-se de pronto aparente que, se não existisse Mundo do Desejo composto de matéria de desejo, não teríamos meios de formar sentimentos, emoções, e desejos. Um planeta composto das matérias perceptíveis a nossos olhos físicos, e de nenhuma outra substância, poderia ser o lar de plantas que crescessem inconscientemente, mas sem o desejo para fazê-las crescer. Os reinos humano e mineral, entretanto, seriam impossibilidades.

Tanto o animal quanto o homem têm um corpo de desejo e acham-se dominados pelos sentimentos gêmeos e as forças gêmeas. Uma tigresa na floresta passará com indiferença por um pedaço de pão, mas sentirá interesse pelo seu dono. Seu interesse vai fazer surgir a força de atração, no entanto, ela vai tentar matá-lo. O ato destrutivo não é o fim, nem o objetivo, entretanto, apenas um passo necessário em direção à assimilação. Se ela percebe outro animal predador com interesse no que ela considera sua presa, isso também vai despertar seu interesse. Mas, nesse caso, o sentimento de interesse vai detonar a força de repulsão, e, se acontecer uma luta, a destruição do seu adversário será o seu objetivo. No caso acima e nos casos nos quais o desejo animal do homem sigam fatores, as forças gêmeas e os sentimentos gêmeos operam de modo semelhante, mas existe a diferença na composição no corpo de desejo do homem e do animal.

O corpo de desejo de um animal é composto exclusivamente de matéria das quatro regiões inferiores do Mundo do Desejo. Daí ele ser incapaz de sentir algo mais que desejo animal por comida, abrigo ou algo parecido. Um santo sentiria o mais penetrante remorso se tivesse inadvertidamente falado uma palavra impensada: a tigresa permanece imperturbável a qualquer sentimento de mal agir, daí ela matar diariamente. A razão é que o corpo de desejo do homem é composto de matéria de todas as sete regiões do Mundo do Desejo, daí ele ser capaz de ter sentimentos mais elevados que o animal.


 

PARTE II

Origem e Desenvolvimento do Corpo de Desejos do Homem

 

Capítulo I

Através dos Períodos Setenários

 

O esquema evolutivo é realizado através dos cinco Mundos em sete grandes Períodos de Manifestação durante os quais o Espírito Virginal ou vida evolucionante se converte primeiramente em homem e depois em Deus.

Na terminologia Rosacruz os nomes dos sete Períodos são os seguintes:

1 - Período de Saturno

2 - Período Solar

3 - Período Lunar

4 - Período Terrestre

5 - Período de Júpiter

6 - Período de Vênus

7 - Período de Vulcano

Os três primeiros períodos mencionados ( Saturno, Solar e Lunar) pertencem ao passado. Estamos atualmente no quarto período, o Terrestre. Quando este Período Terrestre de nosso Globo se completar, nós e a Terra passaremos através das condições de Júpiter, Vênus e Vulcano antes do Grande Dia Setenário de Manifestação chegar ao fim, quando tudo o que agora existe imergirá uma vez mais no Absoluto para um período de descanso e assimilação dos frutos de nossa evolução, para reemergir para um mais elevado desenvolvimento de um outro Grande Dia.

Os três Períodos e meio já passados foram empregados na aquisição de nossos veículos e da consciência atual. Os três Períodos e meio restantes serão dedicados ao aperfeiçoamento desses veículos e à expansão da consciência até ponto equivalente à onisciência.

Vimos que o homem é um organismo muito complexo, consistindo de:

(1) Corpo Denso, que é a sua ferramenta em ação;

(2) Corpo Vital, um veículo de "vitalidade" que torna a ação possível;

(3) Corpo de Desejo, de onde vem o Desejo e que impele à ação;

(4) Mente, um freio aos impulsos, dando sentido à ação;

(5) Ego, que atua e ganha experiência da ação.

O Espírito Humano e o corpo de desejo começaram sua evolução no Período Lunar e são portanto os pupilos especiais do Espírito Santo.

Aprendemos, ao estudar o Conceito Rosacruz do Cosmos, que nosso corpo de desejo foi gerado no Período Lunar. Se desejamos obter um quadro mental da maneira como as coisas eram então, observemos a ilustração de um feto como mostrada em qualquer livro de anatomia. Há três partes principais: a placenta, preenchida de sangue materno, o cordão umbilical, que conduz essa fonte vital, e o feto, que é desse modo nutrido desde o estado embrionário até à maturidade. Imagine agora, naquela época distante, o firmamento como uma imensa placenta da qual dependiam milhões de cordões umbilicais, cada um com seu apêndice fetal. Através de toda a família humana, então em formação, circulava uma única essência universal do desejo e da emoção, gerando em todos os impulsos de ação que ora estão manifestados em cada fase do trabalho do mundo. Esses cordões umbilicais e apêndices fetais foram moldados da matéria úmida de desejo pelas emoções dos Anjos lunares, enquanto as correntes ígneas de desejo que estavam se esforçando em impulsionar a vida latente na humanidade então em formação eram ígneos guerreiros Espíritos Lucíferes. A cor daquela primeira e lenta vibração que eles puseram em movimento naquela matéria de desejo emocional era vermelha.

No Período Lunar foi necessário reconstruir-se o corpo denso para torná-lo capaz de ser interpenetrado pelo corpo de desejo, e também de desenvolver o sistema nervoso, os músculos, as cartilagens e o esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi o trabalho da Revolução de Saturno do Período Lunar.

Na segunda ou Revolução Solar, o corpo vital foi também modificado para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um corpo de desejo e também foi adaptado ao sistema nervoso, aos músculos, esqueleto etc. Os Senhores da Sabedoria também ajudaram os Senhores da Individualidade em seu trabalho.

Dessa substância úmida (no Período Lunar) foi construído o corpo mais denso desses "Homens-aquosos". O pensamento forma para o corpo denso foi consolidado em um gás úmido e o pensamento forma de nosso corpo vital atual desceu ao Mundo de Desejo. Foi formado de matéria de desejo. A esse corpo duplo foi adicionado, no Período Lunar, o pensamento forma para o nosso atual corpo de desejo e os Serafins despertaram o terceiro aspecto do Espírito Virginal: "o Espírito Humano". O Espírito Virginal tornou-se um "Ego"; daí que, no final do Período Lunar, o homem-em-formação possuía um tríplice Espírito e um tríplice corpo.

Vemos assim que, no final do Período Lunar, o homem possuía um tríplice corpo em vários estados de desenvolvimento e ainda possuía o germe do Tríplice Espírito. Ele tinha corpos denso, vital e de desejo, e Espíritos Divino, de Vida e Humano. Só lhe faltava o elo para uni-los.

No final do Período Lunar, essas classes possuíam os veículos como estão classificados no Diagrama 10 e, com eles, principiaram no começo do Período Terrestre. Durante o tempo decorrido desde então, o reino humano vem desenvolvendo o material do elo mental e tem assim alcançado total despertar de consciência. Os animais obtiveram um corpo de desejo e as plantas, o corpo vital. Os extraviados da onda de vida que entraram na evolução no Período Lunar, escaparam das duras e rápidas condições da formação das rochas e, agora, seus corpos densos compõem nossos solos mais macios, enquanto a onda de vida que entrou na evolução no atual Período Terrestre forma as duras rochas e pedras.

Todos da Classe 2 cujos corpos de desejos estavam em condições de serem divididos em duas partes (como foi o caso de todos os da Classe 1), e que podiam atuar em veículos humanos, avançaram para o grupo humano.

Devemos reparar cuidadosamente que, nos parágrafos anteriores, faz-se referência às formas, não à Vida que habita a Forma. O instrumento está ajustado para servir à vida que nele habita. Os da Classe 2, em cujos veículos podia ser feita a divisão acima mencionada, elevaram-se ao reino humano, mas receberam o Espírito interno num momento posterior aos da classe 1. Por conseqüência, eles não estão agora tão evoluídos quanto os da Classe 1 e formam as raças humanas inferiores.

Aqueles cujos corpos de desejos eram incapazes de divisão foram colocados nas mesmas condições das Classes 3a e 3b. Eles são os antropóides atuais. Eles poderão, porém, seguir a nossa evolução se atingirem um grau de adiantamento suficiente antes do ponto crítico já mencionado, que virá no meio da Quinta Revolução. Se não nos alcançarem até essa época, eles terão perdido contato com nossa evolução.

Foi dito que o homem construiu seu tríplice corpo com a ajuda de seres superiores a ele, mas no Período anterior não havia poder coordenador; o Tríplice Espírito, o Ego, estava separado e afastado de seus veículos. Agora chegou o momento para a união do Espírito com o corpo.

Quando o corpo de desejo separou-se, a parte superior passou de algum modo a dominar a parte inferior e os corpos denso e vital. Isso formou uma espécie de alma-animal com a qual o Espírito podia se unir através do elo da mente. Onde não houve divisão do corpo de desejo, o veículo ficava à mercê de desejos e paixões sem nenhum controle, e, portanto, não podia ser usado como um veículo interno capaz de ser a morada do Espírito. Por isso, ele foi posto sob a direção de um Espírito-Grupo que o governava de fora. Tornou-se um corpo animal, e essa espécie degenerou-se no corpo de um antropóide.

Quando ocorreu a divisão do corpo de desejo, o corpo denso assumiu gradualmente a posição vertical, tirando assim a espinha dorsal da influência das correntes horizontais do Mundo de Desejo no qual o Espírito-Grupo age sobre o animal através da espinha dorsal horizontal. Então o Ego podia entrar, trabalhar, e expressar-se através da espinha dorsal vertical e construir a laringe vertical e o cérebro para sua manifestação adequada no corpo denso. A laringe horizontal também acha-se sob o domínio do Espírito Grupo. Embora seja verdade que alguns animais como o estorninho, o corvo, o papagaio, etc. anteriormente mencionados, sejam, por causa da posição vertical de suas laringes, capazes de emitir palavras, eles não podem usá-las com discernimento. O uso das palavras para expressar pensamentos é o mais elevado privilégio humano e pode ser exercido apenas por um ser capaz de raciocinar e pensar como o homem.

Na Época Polar, o homem adquiriu o corpo denso como um instrumento de ação. Na Época Hiperbórea, foi adicionado o corpo vital para dar poder de movimento necessário à ação. Na Época Lemúrica, o corpo de desejo forneceu incentivo à ação.

Na terceira época, a Lemúrica, o homem cultivou um corpo de desejo, um veículo de paixões e emoções, e possuía a mesma constituição de um animal. Então o leite, um produto dos animais vivos, foi acrescentado à sua dieta alimentar por ser essa substância mais facilmente influenciada pelas emoções. Abel, o homem dessa época, é descrito como sendo um pastor. Em nenhum lugar está escrito que ele tenha matado um animal para se alimentar.

A terceira Época, a Lemúrica, apresenta condições análogas às do Período Lunar, porém mais densas. O coração ígneo da Terra estava no centro, a água fervente em ebulição em seguida, e a atmosfera em vapor ou "névoa-de-fogo" por fora; por conseguinte, "Deus havia separado a terra das águas", como está no Gênesis, a densa umidade do vapor, e ali vivia o homem em ilhas da crosta sólida em formação espalhadas no mar de fogo ou água fervente. Sua forma era, então, bastante firme e sólida, possuía tronco, membros e a cabeça começava a se formar. Foi-lhe adicionado o corpo de desejos e o homem foi posto sob o domínio dos Arcanjos.

No passado distante, quando o homem estava em contato com os mundos "internos", o corpo pituitário e a glândula pineal eram os seus meios de ingresso nesses mundos e irão novamente servir a esses propósitos num estágio posterior. Estavam conectados com o sistema nervoso involuntário ou simpático. O homem estão viu os mundos internos, como no Período Lunar, na parte mais recente da Época Lemúrica e nos primórdios da Época Atlante. As imagens apresentavam-se elas próprias bastante independentes de sua vontade. Os centros de sentido de seu corpo de desejos estavam girando no sentido contrário aos ponteiros dos relógios (seguindo negativamente os movimentos da Terra, que gira em torno do eixo nessa direção) como os centros de sentidos dos "médiuns" o fazem até hoje em dia. Em muitas pessoas, esses centros sensoriais estão inativos, mas o verdadeiro desenvolvimento vai fazer com que eles se movam no sentido dos ponteiros dos relógios.

A mente foi dada ao homem na Época Atlante para objetivar a ação, mas como o Ego estava extremamente fraco e a natureza de desejo forte, a mente nascente fundiu-se com o corpo de desejo; resultou daí a faculdade de Astúcia que foi a causa de toda fraqueza na terceira metade da Época Atlante.

Num futuro distante, o corpo de desejo do homem tornar-se-á definitivamente organizado como se encontram os corpos vital e denso. Quando esse estágio for atingido, todos nós teremos o poder de funcionar no corpo de desejo como agora fazemos no corpo denso, que é o mais antigo e melhor organizado dos corpos do homem, sendo o corpo de desejos o mais novo deles.

Na Época Hiperbórea, antes de o homem possuir o corpo de desejos, havia apenas um modo universal de comunicação e, quando o corpo de desejo se tornar suficientemente purificado, todos os homens estarão novamente capacitados a se entenderem, pois então a separativa diferenciação de Raça terá sido ultrapassada.

O corpo de desejo teve sua formação iniciada no Período Lunar, foi reconstruído no Período Terrestre e será modificado para melhor no Período de Júpiter, alcançando a perfeição no Período de Vênus.

O Globo D do Período de Vênus acha-se localizado no Mundo do Desejo (veja Diagrama 8 do Conceito Rosacruz do Cosmos), por isso nem um corpo denso nem um vital seria usado como um instrumento de consciência, daí que as essências do perfeito corpo denso e do vital estarão incorporadas no corpo de desejos completo, esse último tornando-se um veículo de qualidades transcendentes, maravilhosamente adaptado e tão sensível ao menor desejo do Espírito interno que, em nossas limitações atuais, ultrapassa os limites de nossa concepção.

Porém, a eficiência de até mesmo esse veículo esplêndido será transcendida quando, no Período de Vulcano, sua essência, junto com as essências dos corpos denso e vital, for adicionada ao corpo mental, que se tornará o mais elevado dos veículos do homem, contendo dentro de si a quintaessência de tudo o que for de melhor de todos os veículos.


 

PARTE III

O Corpo de Desejos do Homem no Mundo Físico

 

Capítulo I

Da Infância à Puberdade

 

Os veículos do recém-nascido não entram em atividade logo de pronto. O corpo denso permanece indefeso por um longo período de tempo após o nascimento.

O mesmo ocorre com as forças que operam no corpo de desejos. A sensibilidade passiva à dor física acha-se presente enquanto que a sensibilidade às emoções acha-se quase que completamente ausente. A criança mostrará emoções, é certo, à menor provocação, mas a duração dessa emoção é apenas momentânea. Está tudo na superfície.

O corpo vital da planta constrói uma folha após a outra, fazendo o caule crescer sempre mais. Não fosse pelo corpo de desejo macrocósmico continuaria desse modo indefinidamente, mas o corpo de desejo macrocósmico intervém em um determinado ponto e interrompe o crescimento. A força agora necessária para prosseguir o crescimento acha-se disponível para outros propósitos e é usada para construir a flor e a semente. De modo semelhante, o corpo vital do homem, quando o corpo denso fica sob seu controle, após o sétimo ano, faz o último crescer bem rápido, mas perto do décimo quarto ano o corpo de desejos individual nasce do útero do corpo de desejo macrocósmico e então está livre para trabalhar no corpo denso. O crescimento excessivo é interrompido e a força anteriormente usada para isso torna-se disponível para a propagação de forma que a planta humana pode florescer e dar à luz. Portanto, o nascimento do corpo de desejo pessoal marca o período da puberdade. A partir desse período, aparece a atração pelo sexo oposto, tornando-se especialmente ativa e desenfreada no terceiro período setenário da vida - do décimo quarto ano ao vigésimo primeiro - porque a mente controladora ainda não nasceu.

Entretanto, não se deve imaginar que, quando o pequeno corpo de uma criança nasce, o processo do nascimento esteja completo. O corpo denso físico teve a mais longa evolução e, como o sapateiro que trabalhou muitos anos na sua profissão é mais experiente que um aprendiz e capaz de fazer mais rápido sapatos melhores, assim também o Espírito que tenha construído mais corpos físicos os produz mais rapidamente, mas o corpo vital é uma aquisição mais recente do ser humano. Por isso, não somos tão experientes na construção desse veículo. Conseqüentemente, leva mais tempo para construí-lo a partir de materiais não empregados na feitura do revestimento do arquétipo, e o corpo vital não nasce antes do sétimo ano. Começa então o período de crescimento rápido. O corpo de desejo é uma aquisição na composição do homem que se dá mais tarde ainda, que não nasce antes do décimo quarto ano, quando a natureza de desejo expressa-se mais fortemente durante a chamada mocidade "quente", e a mente que torna o homem adulto, não nasce antes do vigésimo primeiro ano. Perante a lei, essa última idade é reconhecida como o tempo mais cedo em que o homem está pronto para exercer o direito de votar.

Aos quatorze anos, temos o nascimento do corpo de desejos, que marca o início da auto-afirmação. Nos primeiros anos, a criança se vê mais como pertencente à família e subordinada às vontades de seus pais do que após os quatorze anos. A razão é a seguinte: na garganta do feto e da criancinha existe uma glândula chamada timo, que é maior antes do nascimento e que diminui gradualmente durante a infância e, finalmente, desaparece em idades que variam de acordo com as características da criança. Os anatomistas ficaram confusos quanto ao funcionamento desse órgão e ainda não chegaram a uma conclusão definitiva. Mas foi sugerido que, antes do desenvolvimento dos ossos vermelhos da medula, a criança não é capaz de fabricar seu próprio sangue, e que, portanto, a glândula timo contém uma essência, suprida pelos pais, que a criança pode extrair enquanto bebê e durante a infância, até estar apta a fabricar seu próprio sangue. Essa teoria está próxima da verdade, e, como o sangue da família circula na criança, ela se considera parte da família e não como um Ego. Mas no momento em que ela começa a fabricar seu próprio sangue, o Ego se afirma; não é mais a menina do papai ou o menino da mamãe. Passa a ter um "Eu" identificando-a. Tem início a idade crítica quando os pais colhem o que semearam. A mente ainda não nasceu, não há nada para refrear a natureza de desejo reprimida, e mais, muito mais, depende de como a criança foi educada nos primeiros anos e que exemplos os pais deram. Nesse ponto da vida, a auto-afirmação, o sentimento de "Eu sou eu", é mais forte que em qualquer outra ocasião e, portanto, a autoridade deve dar lugar ao conselho.

Os pais devem praticar a maior tolerância, pois em nenhuma outra fase da vida o ser humano acha-se mais necessitado de compreensão que durante os sete anos que vão dos quatorze aos vinte um quando a natureza de desejo é exuberante e desenfreada.

O corpo de desejos necessita de proteção das investidas violentas do Mundo do Desejo até por volta dos quatorze anos quando ele nasce na fase que chamamos de puberdade; e a mente não está suficientemente madura para ser solta de sua capa protetora até que o homem atinja sua maioridade por volta dos vinte e um anos. Esses períodos estão aproximadamente corretos, apenas, pois cada pessoa é diferente das outras quanto à exatidão dos períodos, mas esses dados estão bem próximos da realidade.

Vimos que, quando o Ego chegou ao fim de seus dias na escola da vida, a força centrífuga de Repulsão faz com que ele se descarte do veículo denso por ocasião da morte e, depois do corpo vital, que é o mais denso a seguir. Posteriormente, no Purgatório, a matéria de desejo mais inferior acumulada pelo Ego como um corpo para seus mais inferiores desejos é expurgada por essa força centrífuga. Nos reinos mais elevados só a força de Atração governa e mantém o bem pela ação centrípeta, que tende a puxar tudo da periferia para o centro.

Essa força centrípeta de Atração também governa quando o Ego está de volta para renascer. Sabemos que podemos atirar uma pedra mais longe do que uma pena. Daí que, a matéria inferior é lançada fora após a morte, pela força de Repulsão, e, pela mesma razão a matéria mais inferior na qual o Ego que retorna incorpora as tendências ao mal é arrastada para o centro pela força centrípeta de Atração, resultando que, quando a criança nasce, tudo de melhor e mais puro aparece no exterior. O mal normalmente não se manifesta até após o nascimento do corpo de desejos próximo dos quatorze anos, e as correntes nesse veículo começam a jorrar fora pelo fígado. Nessa ocasião, o Ego começa a "viver" sua vida individual e mostrar o que tem em seu interior. O corpo de desejos nasce por volta dos quatorze anos, na puberdade. Esta é a ocasião em que os sentimentos e paixões estão começando a exercer seu poder sobre o jovem ou a jovem, quando o útero da matéria de desejos, que primeiramente protegia o corpo de desejo emergente, é removido. Em muitos casos, esse é um período de tentações, e é um bem para o jovem que aprendeu a respeitar pais e professores, pois eles serão para ele uma âncora de força contra a invasão dos sentimentos. Se foi acostumado a aceitar a opinião dos mais velhos como verdadeira e deles recebeu sábios ensinamentos, ele terá então desenvolvido o inerente senso de verdade que será um guia seguro, mas, na medida em que tenha falhado, então é capaz de ficar à deriva.

Quando numa vida a pessoa morre quando criança, ela, não raro, se lembra desta vida na próxima, porque as crianças menores de quatorze anos não perfazem o ciclo completo da vida, que necessita da construção de um grupo completo de novos veículos. Elas simplesmente passam para as regiões superiores do Mundo do Desejo e lá esperam pela construção de um novo corpo, o que normalmente ocorre entre um e vinte anos após a morte. Quando voltam a renascer, elas trazem consigo a antiga mente e o antigo corpo de desejos.


 

Capítulo II

Sua Aparência e suas Funções

 

Além do corpo visível e do corpo vital, também possuímos um corpo feito de matéria de desejo com a qual formamos nossos sentimentos e emoções. Esse veículo também nos impele a procurar a gratificação dos sentidos. Mas, enquanto que os dois instrumentos dos quais já falamos estão bem organizados, o corpo de desejo aparece à visão espiritual como uma nuvem ovóide que se estende de quarenta a cinqüenta centímetros além do corpo físico. Está sobre a cabeça e abaixo dos pés de modo que nosso corpo denso situa-se no centro da nuvem em forma de ovo, assim como a gema está no centro do ovo.

A razão do estado rudimentar desse veículo é que ele foi acrescentado à constituição do homem mais recentemente que os corpos anteriormente mencionados. A evolução da forma é semelhante à maneira pela qual os sucos do caracol inicialmente se condensaram em carne e mais tarde se tornaram uma concha dura. Quando o nosso atual corpo físico inicialmente germinou no Espírito, era um pensamento-forma, mas, gradativamente, tornou-se mais denso e mais concreto até ser hoje uma cristalização química. O corpo vital foi em seguida emanado pelo Espírito como um pensamento forma e está no terceiro estágio de solidificação, que é etéreo. O corpo de desejos é uma aquisição ainda mais recente. Ele também foi concebido por um pensamento forma que agora se condensou em matéria de desejo. A mente, só recebida recentemente, é nada mais que uma simples nuvem do pensamento-forma.

(Desenhos das correntes no corpo de desejos)

Homem comum Clarividente Voluntário Clarividente involuntário

Correntes no corpo de desejos Correntes no corpo de desejos Correntes no corpo de desejos

Braços e membros, ouvidos e olhos não são necessários no uso do corpo de desejos, pois ele pode deslizar pelo espaço com mais suavidade que o vento, sem os meios de locomoção que nós precisamos no mundo visível.

Quando observado pela visão espiritual, parece que este corpo de desejos possui muitos vórtices rodopiantes. É uma característica da matéria de desejo estar sempre em movimento. Do vórtex principal localizado no fígado, há um fluxo constante e abundante que se irradia para a periferia desse corpo ovóide e que retorna para o centro através de inúmeros outros vórtices. O corpo de desejos exibe todas as cores e matizes que conhecemos e vasto número de outros tons indescritíveis para a linguagem do mundo material. Essas cores variam para cada pessoa de acordo com suas características e temperamento. Também variam a cada momento de acordo com as mudanças de humor, fantasias ou emoções que a pessoa experimenta. Há, porém, uma certa cor básica para cada um, dependendo do astro regente na hora do seu nascimento. O homem em cujo horóscopo Marte esteja particularmente forte, normalmente, terá sua aura de cor carmim. Quando Júpiter é o planeta mais forte, a cor predominante parece de ser um tom azulado e, assim por diante, com os demais planetas.

Houve uma época da história passada da Terra, quando a crosta não estava ainda completa, em que os seres humanos viviam em ilhas aqui e ali no meio de mares em ebulição. Eles ainda não tinham desenvolvido olhos e ouvidos, mas um pequeno órgão protuberante desde a parte de trás da cabeça, a glândula pineal que os anatomistas chamaram de terceiro olho, , era o órgão de sentido localizado que avisava o homem toda vez que ele se aproximava de uma cratera vulcânica, permitindo-o escapar assim da destruição. Desde então, os hemisférios do cérebro vêm cobrindo a glândula pineal e ao invés de apenas um órgão de sentido, o corpo todo em seu interior e exterior tornou-se apto a sentir os impactos, o que, naturalmente, é um estado de desenvolvimento muito superior.

No corpo de desejos, cada partícula é sensível a vibrações similares às que chamamos de imagens, sons e sentimentos, e cada partícula está em constante movimento, rodopiando rapidamente de tal forma a poder estar no mesmo instante na parte superior e na inferior do corpo de desejos e levando às demais partículas em todos os pontos a sensação por ela experimentada. Assim, cada partícula da matéria de desejos nesse nosso veículo irá instantaneamente sentir qualquer sensação experimentada por cada uma das partículas. Por conseguinte, o corpo de desejos é de uma natureza excepcionalmente sensível, capaz dos mais intensos sentimentos e emoções.

O corpo de desejos é o veículo dos sentimentos e emoções que estão sempre mudando a cada momento. Embora tenha-se dito que o éter que forma nosso corpo alma esteja em movimento constante e associado à corrente sangüínea, essa movimentação é relativamente lenta se comparada à rapidez da corrente do corpo de desejos.

A matéria de desejos movimenta-se com inconcebível rapidez, só comparada à luz.

Os impulsos do corpo de desejos dirigem o sangue através do sistema a variáveis padrões de velocidade, de acordo com a força das emoções.

Atualmente, os materiais das regiões inferiores e superiores entram na composição dos corpos de desejos da grande maioria da humanidade. Ninguém é tão mau que não tenha algo de bom . Isso está expresso nos materiais das regiões superiores que encontramos em seus corpos de desejos. Mas, por outro lado, muitos poucos são suficientemente bons que não usem alguns dos materiais das regiões inferiores.

Da mesma maneira que os corpos vital e de desejos planetários interpenetram a matéria densa da Terra, como está ilustrado na experiência da esponja, da areia e da água, (ver Conceito Rosacruz do Cosmos), assim os corpos vital e de desejos interpenetram o corpo denso da planta, do animal e do homem. Mas durante a vida do homem, seu corpo de desejo não tem a forma semelhante a seus corpos denso e vital. Após a morte ele assume essa forma. Durante a vida, ele tem a aparência de um ovóide luminoso que nas horas de vigília envolve completamente o corpo denso, como a clara envolve a gema de um ovo. Estende-se cerca de trinta a quarenta centímetros além do corpo denso. Nesse corpo de desejos existem inúmeros centros de sentido, mas, na grande maioria das pessoas, eles acham-se latentes. É o despertar desses centros de percepção que corresponde à abertura dos olhos de um cego. A matéria no corpo de desejos humano está em constante movimento de inconcebível rapidez. Nele, não existe nenhum local de parada para nenhuma partícula, como há no corpo denso. A matéria, que num momento está na cabeça, pode estar em seguida nos pés e logo retornar. Não há órgãos no corpo de desejos, como nos corpos denso e vital, mas há centros de percepção que, quando ativos, assemelham-se a vórtices, permanecendo sempre na mesma posição relativa ao corpo denso, a maioria deles em torno da cabeça. Na maioria das pessoas, eles são apenas redemoinhos e não são úteis como centros de percepção. Entretanto, podem ser despertados totalmente, porém, diferentes métodos produzem diferentes resultados.

No clarividente involuntário, esses vórtices desenvolvidos em linhas impróprias e negativas movimentam-se da direita para a esquerda ou ao contrário dos ponteiros dos relógios.

No corpo de desejos do clarividente adequadamente treinado eles se movem na mesma direção dos ponteiros dos relógios, brilhando de forma esplendorosa, sobrepujando sobejamente a brilhante luminosidade do corpo de desejos comum. Esses centros fornecem-lhe meios de percepção no Mundo do Desejo, e ele vê e investiga de acordo com seus desejos, enquanto que a pessoa cujos centros se movimentam no sentido oposto aos ponteiros do relógio é como um espelho, que reflete o que passa diante dela. Tal pessoa é incapaz de obter uma informação de fora. O que foi dito anteriormente é uma das diferenças fundamentais entre um médium e um clarividente adequadamente treinado. Para a maioria das pessoas, é impossível distinguir entre os dois, mas existe uma regra infalível que pode ser seguida por qualquer pessoa: Nenhum vidente verdadeiramente desenvolvido jamais irá exercer essa faculdade por dinheiro ou algo equivalente; nem irá usá-la para satisfazer curiosidades, mas somente para ajudar a humanidade.


 

Capítulo III

O Efeito das Emoções no Contorno e na Cor do Corpo de Desejos 

 

Cristo disse: "Deixe que sua luz brilhe". Para a visão espiritual, cada ser aparece como uma chama de luz, colorida de acordo com o temperamento, e com maior ou menor brilho na proporção da pureza de seu caráter. A ciência descobriu que toda matéria está num estado de fluxo, que as partículas que formam nossos corpos deterioram-se e são continuamente eliminadas do sistema, para serem substituídas por outras que ficam por curto tempo até também se deteriorarem. Da mesma forma, nosso humor, emoções e desejos mudam a cada momento, o velho dando lugar ao novo, numa interminável sucessão. Por isso, eles devem também ser formados por matéria e sujeitos a leis semelhantes àquelas que governam as substâncias físicas visíveis.

Vejamos como o corpo de desejos muda sob os vários sentimentos, desejos, paixões e emoções de modo a que possamos aprender a construir sabiamente o templo místico no qual habitamos.

Quando estudamos uma das chamadas ciências físicas, tais como a anatomia ou a arquitetura, que lidam com as coisas tangíveis, nossa tarefa é facilitada pelo fato de termos palavras que descrevem as coisas de que tratamos, mas, mesmo assim, o quadro mental concebido pela palavra difere de um indivíduo para outro. Quando falamos de uma "ponte", uma pessoa pode mentalizar uma estrutura de ferro no valor de um milhão de dólares, e outra pode pensar numa prancha sobre um riacho. A dificuldade que experimentamos ao transmitir impressões exatas do que queremos dizer aumenta substancialmente quando tentamos exprimir idéias sobre as forças intangíveis da Natureza, tal como a eletricidade. Medimos a força da corrente em volts, o volume em ampères e a resistência dos condutores em ohms, mas, de fato, estes termos são somente invenções para encobrir nossa ignorância sobre a matéria. Todos sabemos o que é um quilo de café, mas o maior cientista do mundo tem uma concepção exata do que volts, ampères e ohms sejam, sobre os quais ele discursa tão doutamente, tanto quanto um estudante que ouve estas palavras pela primeira vez.

Não é de admirar que assuntos suprafísicos sejam descritos por termos vagos e freqüentemente desorientadores, pois não temos palavras, em nenhuma língua física, para descrever exatamente estes assuntos e temos de confessar nossa impotência e perplexidade por não encontrarmos termos adequados para nos expressarmos a respeito deles. Se fosse possível projetar sobre uma tela cinematográfica as imagens coloridas do corpo de desejos e mostrar como esse incansável veículo muda de contorno e de cor conforme as emoções, nem assim seria compreensível para aquele que não é capaz de ver as coisas por si mesmo, pois os veículos de cada ser humano diferem dos demais na medida em que respondem a certas emoções. Aquilo que induz alguém a sentir amor, ódio, raiva, medo ou qualquer outra emoção pode deixar outro inteiramente insensível.

Inúmeras vezes, o autor observou as multidões para estabelecer comparações a este respeito e encontrou sempre algo surpreendentemente novo e diferente do que havia observado antes. Certa ocasião, um demagogo se esforçava em incitar um sindicato de trabalhadores à greve. Ele mesmo estava muito exaltado e, embora a cor básica laranja escuro fosse perceptível, estava, naquele momento, quase obscurecida por uma cor escarlate de matiz mais brilhante e o contorno de seu corpo de desejos era como o de um porco-espinho com as pontas eriçadas. Havia um forte elemento de oposição naquela reunião e, à medida que falava, podia-se distinguir claramente as duas facções pelas cores de suas respectivas auras. Um grupo de homens mostrava o escarlate da raiva, mas, no outro grupo, esta cor estava mesclada com o cinza, a cor do medo.

Era também digno de nota o fato de que, embora os homens que apresentavam a cor cinza fossem a maioria, os outros venceram, pois cada tímido acreditava estar sozinho, ou , pelo menos, com muito poucos o apoiando e, por conseguinte, temia votar ou expressar sua opinião. Se alguém que fosse capaz de perceber esta condição estivesse presente e tivesse se dirigido a cada um que manifestava em sua aura sinais de divergência, assegurando que ele fazia parte de maioria, o curso das coisas teria caminhado em direção oposta. Muitas vezes, isso acontece nos assuntos humanos porque, atualmente, a maioria das pessoas é incapaz de ver além da superfície do corpo físico e, desta maneira, perceber a verdadeira condição dos pensamentos e sentimentos dos demais.

Em outra ocasião, o autor foi a uma reunião de despertar religioso onde milhares de pessoas estavam presentes para ouvir um orador de reputação nacional. No princípio da reunião, era evidente, pelo estado da aura das pessoas, que a grande maioria tinha vindo com o único propósito de passar alguns momentos agradáveis e ver algo divertido. Os pensamentos, sentimentos e emoções da vida comum de cada um eram plenamente visíveis, mas, em alguns, a cor azul escuro revelava uma atitude de preocupação; era como se tivessem sofrido alguma desilusão na vida e estivessem muito apreensivos. Quando o orador apareceu, aconteceu um fenômeno curioso. Sabemos que os corpos de desejos estão geralmente num estado de constante movimento, porém, naquele momento, toda aquela vasta assistência reteve a respiração em atitude de expectativa, porque as cores variadas dos corpos de desejos individuais cessaram e a cor básica laranja foi perfeitamente perceptível por um momento. Logo em seguida, cada um voltou às suas atividades emocionais anteriores enquanto o prelúdio estava sendo tocado. Então, o cântico dos hinos começou e este fato revelou o valor e o efeito da música, pois, ao se unirem cantando as mesmas palavras no mesmo tom, as mesmas vibrações rítmicas em seus corpos de desejos fizeram com que parecessem um único ser naquele momento. Um bom número de pessoas estava em atitude céptica, recusando-se a cantar e a se unir aos demais. À visão espiritual, apareciam como homens de aço, vestindo uma armadura daquela cor, e, de cada um, sem exceção, desprendia-se uma vibração que expressava mais do que as palavras poderiam dizer: "Deixem-me em paz, vocês não me comoverão". Algo interior os havia arrastado até ali, porém, estavam mortalmente amedrontados de entregar-se e, por isso, toda sua aura expressava a cor cinzenta do medo que é uma armadura da alma contra interferências externas.

Terminada a primeira música, a unidade de cor e vibração desapareceu quase imediatamente, cada um voltando à sua atmosfera habitual de pensamento e, se nada mais tivesse sido feito, cada um teria voltado à sua vida interior costumeira. Porém, o evangelista, embora incapaz de ver isto, sabia, por experiência, que seu auditório não estava preparado ainda e, por isso, uma sucessão de canções foi cantada com o acompanhamento de palmas, batidas de tambores e gestos do regente, ajudado por um coral treinado. Isto reuniu outra vez as almas dispersas em um laço de harmonia; gradualmente, as pessoas foram dominadas por um religioso fervor e estabeleceu-se a unidade necessária para o trabalho seguinte. Pela música, pelas palmas do regente e pelo apelo dos cânticos, a vasta audiência tinha-se transformado em uma só, pois os homens de aço, os cépticos de cor cinzenta que se acreditavam demasiado sábios para serem enganados (quando na realidade sua emoção era medo) eram parte insignificante naquela vasta congregação. Todos os outros estavam afinados, como cordas de um grande instrumento, e o evangelista que se erguia diante deles era um artista magistral tocando com as emoções. Ele os levava do riso às lágrimas, do pesar à vergonha. Grandes ondas de cores, correspondendo às emoções, pareciam cobrir toda a audiência, tão confusas quanto magníficas. Então, vieram as invocações de costume: "Levantai para receber Jesus"; o convite para os que se lamentam, etc., e cada um desses chamados extraía de toda assistência uma resposta emocional determinada, mostrada plenamente nas cores dourada e azul. Seguiram-se mais cânticos, mais palmas e gesticulações que, momentaneamente, promoveram a unidade e deram àquela audiência uma experiência parecida com o sentimento de fraternidade universal e a realidade da Paternidade de Deus. Os únicos sobre quem a música não surtiu efeito foram os homens revestidos pela armadura azul de aço do medo. Esta cor parece ser impenetrável a qualquer emoção e, embora os sentimentos experimentados pela grande maioria fossem relativamente fugazes, as pessoas se beneficiaram com o despertar religioso, com exceção dos homens de aço.

Pelo que o autor pôde aprender, a sensação interna do medo de se render à emoção o medo é saturnino em seus efeitos e irmão gêmeo da preocupação parece exigir um choque que afastará a pessoa assim afetada do seu ambiente e a colocará em um novo lugar em novas condições antes que as antigas condições possam ser superadas.

A preocupação é um estado no qual as correntes de desejo não se movem em grandes linhas curvas em nenhuma parte do corpo de desejo, senão que o veículo fica cheio de redemoinhos nos casos extremos, só redemoinhos. A pessoa assim afetada não se esforça em reagir, vê calamidades onde não existem e, ao invés de gerar correntes que levem à ação e que possam evitar o que ela teme, cada pensamento inquietante produz um redemoinho no corpo de desejos e, conseqüentemente, ela não faz nada. Este estado de preocupação no corpo de desejos pode ser comparado à água que está próxima do congelamento sob uma temperatura baixa. O medo que se expressa como ceticismo, cinismo e pessimismo, pode ser comparado a esta mesma água quando congelada, pois o corpo de desejos dessas pessoas está quase sem movimento e nada do que se possa dizer ou fazer terá poder de alterar essa condição. Usando uma expressão comum que traduz bem esta condição, diremos que elas estão "presas em uma concha" e esta concha saturnina deverá ser quebrada antes que se possa chegar a elas e ajudá-las a sair deste estado deplorável.

Essas emoções saturninas de medo e preocupações são geralmente causadas pela apreensão dos que sofrem dificuldades econômicas e sociais. "Talvez este investimento que eu fiz traga prejuízo ou perda total ; posso perder minha posição e ficar na miséria; tudo o que empreendo parece dar errado; meus vizinhos estão falando mal de mim e tentando prejudicar minha posição social; meu marido (ou mulher) não se preocupa mais comigo; meus filhos estão me desprezando". E mil e uma idéias semelhantes se apresentam à sua mente. Esta pessoa deveria lembrar-se que, cada vez que ela permite um desses pensamentos, isto ajuda a congelar as correntes do corpo de desejos e constrói uma concha de aço azulada na qual a pessoa, que habitualmente alimenta o medo e a preocupação, se encontrará, algum dia, isolada do amor, simpatia e ajuda de todos. Por isso, devemo-nos esforçar em ser alegres, mesmo em circunstâncias adversas, ou poderemos encontrar numa triste condição aqui e na vida após a morte.

No começo da Grande Guerra (1914-1918) as emoções na Europa estavam horrivelmente desenfreadas, primeiro entre os chamados "vivos" e depois entre os mortos, quando despertavam. Este despertar levava muito tempo por causa da detonação dos grandes canhões e mais ainda posteriormente. Toda a atmosfera dos países envolvidos fervia em correntes de raiva e ódio como uma nuvem de um vermelho escuro que pairava em volta dos seres humanos e sobre o chão. Então, apareciam faixas tingidas de escuro como mortalhas que sempre aparecem em súbitos desastres, quando a razão fica imobilizada e o desespero domina o coração. Sem dúvida, isto era causado pelo fato de os povos envolvidos perceberem que uma catástrofe de grandes dimensões, que eram incapazes de compreender, estava acontecendo. Os corpos de desejos da maioria giravam em alta velocidade, em grandes ondas de pulsação rítmica que falavam mais alto que as palavras: "Matem, matem, matem".

Quando duas ou três pessoas de uma multidão se encontravam e começavam a discutir sobre a guerra as pulsações rítmicas, indicando o firme propósito de agir e desafiar, cessavam, e os pensamentos e sentimentos de agitação, gerados pela discussão ou conversa, tomavam forma de projeções cônicas que, rapidamente, cresceriam a uma altura de seis ou oito polegadas e, então estouravam e emitiam uma língua de fogo. Algumas pessoas geravam uma quantidade dessas estruturas vulcânicas de uma só vez e, em outras, havia só uma ou duas ao mesmo tempo. Quando uma dessas bolhas estourava, outra aparecia em alguma parte do corpo de desejos, enquanto a discussão prosseguia e eram as chamas que emergiam delas que coloriam de escarlate a nuvem sobre a terra. Quando a multidão se dispersava ou os amigos se separavam, o borbulhar e as erupções diminuíam e se tornavam menos freqüentes, finalmente cessando e dando lugar outra vez às grandes pulsações rítmicas antes mencionadas.

Estas condições são agora (1916) raras, se é que são vistas ainda. A raiva explosiva contra o inimigo é coisa do passado, pelo menos no que se refere à grande maioria. A cor laranja básica da aura do povo ocidental é visível outra vez, e tanto os oficiais como os civis se acostumaram com a guerra como se fosse um jogo. Cada um está ansioso para superar o outro utilizando a astúcia. A guerra é agora, principalmente, um canal para a sua habilidade, mas alguns dos irmãos leigos da Ordem Rosacruz acreditam que aquela condição de raiva irá voltar de forma diferente, quando as hostilidades cessarem e as negociações de paz começarem.

Esta forma de emoção nós podemos chamar de raiva abstrata e ela difere do que é observado no caso de duas pessoas que se desentendem na vida privada, quer comecem a brigar fisicamente ou não. Vistas pelo lado oculto da Natureza, há hostilidade antes que os golpes sejam dados. Formas de desejo em feitio da adagas pontudas projetam-se umas contra as outras como lanças, até que a fúria que as gerou se esgote. Na ira patriótica não existe um inimigo pessoal, por isso as formas de desejo são mais bruscas e explodem sem abandonar a pessoa que as gerou.

Os "homens de aço" tão comuns na vida privada, onde a preocupação por mil e uma coisas que nunca acontecem cristalizam uma armadura ao redor deles, a qual permite que o velho Saturno os aprisione, estavam totalmente ausentes. O autor crê na hipótese de que a tensão do seu meio-ambiente forçou-os a se alistarem e o choque quebrou a concha. Então, a familiaridade com o perigo chegou a agradá-los. É certo que estas pessoas se beneficiaram enormemente com a guerra, pois não há estado que impeça mais o crescimento da alma do que medo e preocupação constantes.

É também um fato notável que, embora os homens envolvidos pela guerra sofram terríveis privações, a maior parte deles está cultivando um matiz de azul celeste pálido que significa esperança, otimismo e um nascente sentimento religioso, dando um toque altruísta ao caráter. É uma indicação de que aquele sentimento de fraternidade universal, que não faz distinção de credo, cor ou país, está crescendo no coração humano.

A nuvem vermelha do ódio está desaparecendo, o negro véu do desespero se foi e não há explosões vulcânicas de paixão nem nos vivos nem nos mortos, porém, até onde o autor é capaz de ler os sinais dos tempos na aura das nações, há um propósito determinado de agir com lisura até o fim. Mesmo nos lares despojados de vários membros, isto parece ser aceito. Existe uma intensa saudade pelos amigos que se foram, mas não há ódio pelos inimigos terrenos. Esta saudade é compartilhada pelos amigos no mundo invisível e muitos estão atravessando o véu, pois a intensidade da saudade desperta no "morto" o poder de manifestar-se, atraindo uma quantidade de éter e gás que freqüentemente é extraída do corpo vital de um amigo "sensitivo", da mesma forma que uns espíritos materializantes usam o corpo vital de um médium em transe. Assim, os olhos cegos pelas lágrimas são muitas vezes abertos por um coração saudoso, de modo que entes queridos que estão no mundo do espírito são encontrados face a face, coração a coração. Este é o método da Natureza de cultivar o sexto sentido que possibilitará a todos, no futuro, saber que o homem é um Espírito imortal e que a continuidade da vida é um fato na Natureza.


 

Capítulo IV

A Influência do Pensamento

 

É uma lei no Mundo de Desejos que, como o homem pensa, assim ele é - literalmente e sem restrição.

Um corpo denso, formado pela substância inerte da Região Química, animado e vitalizado pelo corpo vital composto pelos éteres da Região Etérea, recebe o incentivo para a ação do corpo de desejos, incentivo este que os animais seguem incondicionalmente, mas que no homem é refreado por outro fator, a razão, que às vezes o leva a agir contrário ao desejo. Se não existissem outros mundos na Natureza além do Mundo Físico e do Mundo de Desejos, a razão não existiria. Teríamos o mineral, a planta e o animal, porém, o homem, um ser que pensa e raciocina, seria uma impossibilidade na Natureza.

Nós, como Egos que somos, funcionamos diretamente na substância sutil da Região do Pensamento Abstrato, que especializamos dentro da periferia de nossa aura individual. Dali visualizamos as impressões feitas pelo mundo externo sobre o corpo vital através dos sentidos, juntamente com os sentimentos e emoções gerados por elas no corpo de desejos e refletidas na mente.

Destas imagens mentais, tiramos nossas conclusões na substância da Região do Pensamento Abstrato. Estas conclusões são idéias. Pelo poder da vontade, projetamos uma idéia através da mente, onde ela toma uma forma concreta como um pensamento-forma, envolto em matéria da Região do Pensamento Concreto.

A mente é como as lentes projetoras de um estereoscópio. Ela projeta a imagem em uma das três direções, de acordo com a vontade do pensador que anima o pensamento-forma:

1 - Pode ser projetada contra o corpo de desejos num esforço de despertar sentimento que conduzirá à ação imediata.

a) Se o pensamento despertar Interesse, uma das duas forças, Atração ou Repulsão, será provocada.

Se a Atração, a força centrípeta, é despertada, ela domina o pensamento, fazendo-o girar dentro do corpo de desejos, dá vida à aquela imagem e reveste-a com matéria de desejos. Então, o pensamento está pronto para agir no cérebro e impelir a força vital através dos centros e nervos cerebrais aos músculos voluntários que praticam a ação correspondente. Assim, a força do pensamento é gasta e a imagem permanece no éter do corpo vital como memória da ação e do sentimento que o causou.

b) Repulsão é a força centrífuga e, se esta é despertada pelo pensamento, haverá uma luta entre a força espiritual (a vontade do homem) dentro do pensamento-forma e o corpo de desejos. Esta é a batalha entre a consciência e o desejo, a natureza superior e a inferior. A força espiritual, apesar da resistência, tentará envolver o pensamento-forma com a matéria de desejo necessária para manipular o cérebro e os músculos. A força de Repulsão se esforçará em dispensar o respectivo material e expulsar o pensamento. Se a energia espiritual é forte, ela pode forçar seu caminho através dos centros cerebrais e manter sua envoltura de matéria de desejos enquanto manipula a força vital, deste modo impelindo à ação e, então, deixará sobre a memória uma impressão vivida da luta e da vitória. Se a energia espiritual é esgotada antes que a ação se concretize, ela será vencida pela força de Repulsão e será armazenada na memória como estão todos os outros pensamentos-forma após esgotarem sua energia. Temos, no nosso corpo, dois sistemas nervosos - o voluntário e o involuntário. O primeiro é operado diretamente pelo corpo de desejos, controla os movimentos do corpo, leva à exaustão e destruição, sendo somente parcialmente refreado pela mente nas suas obras cruéis. É essa luta entre o corpo vital e o corpo de desejos que produz consciência no mundo físico, mas se a mente não atuasse como um freio sobre o corpo de desejos, nossas horas de vigília e nossa vida seriam mais curtas. O corpo vital seria superado em seus benéficos esforços pelo descuidado corpo de desejos, como evidencia a exaustão que se segue após um ataque de ira. A ira é uma condição onde o homem perde "seu controle" e o corpo de desejos reina desenfreado.

A enfermidade se apresenta de muitas formas: uma é a insanidade, a qual também tem diferentes tipos. Quando a conexão entre os centros dos sentidos do corpo denso e do corpo vital está descentralizada, onde, às vezes, a cabeça do corpo vital está mais acima da cabeça do corpo denso ao invés de estar concêntrica, o corpo vital fica desajustado entre os veículos superiores e o corpo denso. Então nós temos o idiota dócil. Se o corpo denso e o vital estão ajustados, mas a ruptura é entre o corpo vital e o de desejos, uma condição semelhante se verifica, porém, quando a desconexão é entre o corpo de desejos e a mente, temos um maníaco delirante, que é mais incontrolável do que um animal selvagem, porque é governado pelo Espírito-Grupo. Neste caso, todas as tendências animais são seguidas cegamente.

A tendência natural do corpo de desejos é endurecer e consolidar tudo que entre em contato com ele. O pensamento materialista acentua esta tendência de tal forma que muito freqüentemente resulta, nas vidas subseqüentes, em doença muito séria, tuberculose, que é um endurecimento dos pulmões. Estes órgãos devem permanecer brandos e elásticos. Às vezes, também acontece que o corpo de desejos pressiona o corpo vital na vida seguinte, de forma que este corpo falha ao contrarrestar o processo enrijecedor e então nós temos a tuberculose. Em alguns casos, o materialismo faz o corpo de desejos ficar frágil. Então, ele não pode fazer seu trabalho no corpo denso e, como resultado, temos o "raquitismo", onde os ossos ficam fracos. Assim, vemos que perigo corremos por abrigarmos tendências materialistas: ou endurecendo certas partes do corpo, como na tuberculose, ou enfraquecendo os ossos, como no raquitismo. Naturalmente, nem todos os casos de tuberculose mostram que o doente foi materialista numa vida anterior, mas a ciência oculta nos ensina que freqüentemente isto acontece.

Nossos pensamentos são muito mais importantes que nossos atos, pois, se pensarmos sempre corretamente, agiremos sempre certo. O homem que tenha pensamentos de amor para seus amigos, que esquematize em sua mente como ajudá-los espiritualmente, mentalmente ou fisicamente, irá pôr em prática estes pensamentos em alguma ocasião em sua vida e, se nós só cultivarmos tais pensamentos, em breve teremos a luz do sol em torno de nós. Encontraremos pessoas com um estado de espírito igual ao nosso e, se compreendermos que o corpo de desejos (que nos envolve e se estende mais ou menos de 16 a 18 polegadas além da periferia do corpo físico) contém todos estes sentimentos e emoções, entraremos em contato com as pessoas de maneira diferente. Então, entenderemos que tudo que vemos é visto através da atmosfera que criamos em torno de nós, a qual colore tudo o que contemplamos nos outros.

Se o astrônomo focaliza o telescópio de acordo com a sua vontade terá os resultados que deseja e o trabalho será um sucesso; porém, se as lentes e o mecanismo do telescópio tivessem vontade mais forte que o próprio astrônomo, este estaria tolhido em obter resultado satisfatório, pois as figuras estariam embaçadas, sendo de pouco ou nenhum valor.

O mesmo acontece com o Ego. Ele trabalha com um corpo triplo, o qual controla, ou devia controlar, através da mente. Mas, é triste dizer, este corpo tem sua própria vontade e é freqüentemente ajudado e induzido pela mente, frustrando assim os propósitos do Ego.

Esta antagônica "vontade inferior" é uma expressão da parte superior do corpo de desejos. Quando a separação do Sol, Lua e Terra aconteceu, no início da Época Lemúria, a porção mais adiantada da humanidade em formação sofreu a divisão do corpo de desejos em parte superior e parte inferior. O resto da humanidade o fez no início da Época Atlante.

Esta parte superior do corpo de desejos tornou-se um tipo de alma animal. Construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal e os músculos voluntários, controlando a parte do tríplice corpo até que o elo da mente foi dado. Então, a mente uniu-se com esta alma animal e tornou-se uma co-regente.

A mente está, assim, atada ao desejo, emaranhada na natureza inferior egoísta, dificultando ao Espírito o controle do corpo. A mente focalizadora, que devia ser a aliada da natureza superior, está alienada, ligada à natureza inferior e escravizada pelo desejo. A lei das Religiões de Raça foi trazida para emancipar o intelecto do desejo. O "medo de Deus" veio para se opor aos "desejos da carne". Isto, no entanto, não foi suficiente para capacitar o ser humano a se tornar senhor do corpo e assegurar sua cooperação voluntária. Tornou-se necessário para o Espírito encontrar no corpo um ponto de apoio que não estivesse sob a influência da natureza de desejos. Todos os músculos são expressões do corpo de desejos e um caminho livre para a traiçoeira mente que reina suprema, aliada ao desejo.

 

FIM